Mércia foi baleada, mas causa da morte teria sido afogamento

Para a polícia, após ser ferida em seu carro, que foi jogado em represa, ela tentou nadar e morreu; bala estava no Honda Fit

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2010 | 00h00

A advogada Mércia Mikie Nakashima, de 28 anos, foi ferida com um tiro no canto direito da boca, afirmou ontem o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo a perícia, havia vestígios da bala de revólver calibre 38 no maxilar dela. Ela foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, após ficar 19 dias desaparecida.

O projétil estava no chão do Honda Fit da advogada, também achado na represa, do lado do motorista. Acredita-se que a vítima tenha sido atingida dentro do carro. Segundo o perito Renato Pattoli, do DHPP, não é possível afirmar se o disparo matou Mércia. Como um dos vidros do veículo estava aberto, supõe-se que, ao ser jogada na represa, ela saiu do Fit e subiu no teto do carro. Sem saber nadar, afogou-se. O laudo com a causa da morte não foi divulgado.

O tiro explica a fratura constatada inicialmente no maxilar da advogada. A bala foi enviada para análise para tentar rastrear de qual arma partiu. Os peritos também analisam as amostras de alga recolhidas em um aspirador de ar apreendido na casa do policial militar reformado Mizael Bispo de Souza, ex-namorado de Mércia e apontado pelo Ministério Público paulista como suspeito do crime. Para Patolli, é prematuro afirmar se as algas são iguais à existentes na represa.

Além do ex-PM, outras duas pessoas são investigadas por suposto envolvimento no crime. O vigia Evandro Bezerra Silva, de 38 anos, amigo de Souza, seria o executor do homicídio. Ele conhecia a região da represa e esteve por lá no dia do desaparecimento de Mércia. No Fit havia um boné da Adidas, possivelmente dele. A Justiça decretou a prisão temporária de Silva, que até ontem estava foragido.

Os dois conheceram-se há cerca de quatro anos, quando o PM ainda fazia "bico" como segurança em comércios de Guarulhos, na Grande São Paulo. Os dois conversaram por telefone diversas vezes na tarde de 23 de maio, quando Mércia desapareceu. E se encontram no dia anterior, segundo o advogado de Souza. O que causa estranheza ao MP e à polícia é o fato de, após aquele dia, os dois não se falarem mais.

O vigia manteve contato por telefone com um dos irmãos de Souza, cujo nome é mantido em sigilo. Investiga-se se ele teria tido envolvimento no homicídio ou auxiliado Silva a fugir.

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