Mercadões:movimento cresce 60% em um ano

Investimentos em obras e identificação com os bairros ajudam a explicar maior público

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Mais que produtos frescos ou atendimento personalizado, os mercados municipais paulistanos têm procurado valorizar a identidade sociocultural de seus bairros. É a nova tática na luta travada contra os hipermercados - que, em geral, oferecem mercadorias com melhor preço.

E tem dado certo. De acordo com dados da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o público frequentador dos 15 mercados municipais de São Paulo aumentou em 60% de um ano para cá. Se antes a média mensal de visitação aos estabelecimentos era de 1,4 milhão de pessoas, agora o número já ultrapassa os 2,2 milhões.

Nos últimos anos, uma série de ações do poder público buscou recuperar a importância regional dos mercados. Todos eles passaram por algum tipo de reforma, melhorando a infraestrutura e adequando-se a normas de acessibilidade.

"Em 2009, investimos R$ 7,4 milhões nos mercados. E nosso orçamento para este ano ultrapassa os R$ 8 milhões", conta o supervisor Geral de Abastecimento da cidade, José Roberto Graziano. Há cinco anos, existiam 400 boxes vagos nos mercados paulistanos; hoje, são 70. Buscou-se também encontrar lojas-âncora, identificadas com cada bairro - ou um diferencial ao que podia ser encontrado no comércio de rua.

Sofisticação. Um exemplo desse movimento é o Mercado do Tucuruvi, na zona norte. "Trouxe algumas lojas específicas para cá. E, por meio delas, tenho conseguido atrair um público que não frequentava o mercado e agora vem e acaba comprando outros itens também", conta o administrador do espaço, Cristiano Moscardi. "Resultado: hoje não temos nenhum boxe vago por aqui."

Entre essas lojas-âncora, destaca-se uma adega com 160 rótulos de cervejas importadas, em funcionamento desde junho do ano passado. "Antes, as pessoas vinham aqui apenas por causa da peixaria ou das frutas", conta um dos sócios do empreendimento, Marcio Rodrigues. "Agora (o negócio está ali há um ano) vem gente até de outros bairros por causa das cervejas."

A poucos metros da adega está uma outra sacada comercial, uma biojoalheria. Isso mesmo: joias naturebas artesanais. A sustentabilidade de fino trato. "Trabalhamos com produtos de primeira linha, originários de 40 cooperativas de todo o País", explica o proprietário, Rodrigo Bolton. Também há uma loja de produtos 100% orgânicos - a segunda assim nos mercados da cidade; a outra está no Mercadão do centro.

Identidades. Ainda há uma valorização da identidade regional onde se situa cada mercado. Assim, se quer produtos típicos italianos, a dica é procurar no Mercado da Lapa, na zona oeste de São Paulo.

Pães e frios alemães? Vá no de Santo Amaro, na zona sul. "Nosso mercado melhorou muito nos últimos cinco anos", comenta o administrador José Carlos Prado. "Temos boxes com tudo o que diz respeito à colônia alemã: de salsichões a mais de 20 tipos de pães."

Com 75% do público de origem nordestina, o Mercado de São Miguel Paulista, na zona leste, é referência em produtos como feijão de corda, manteiga de garrafa e carne-seca.

Serviços boa-praça. Virtude histórica dos mercadões que continua a atrair a freguesia, o bom atendimento continua valorizado. Ao zanzar pelos mercados municipais, é comum se deparar com lojistas chamando cliente pelo nome e um tratamento que, aos mais nostálgicos, traz lembranças dos pequenos armazéns de esquina.

O Mercado de Pinheiros, por exemplo, alardeia uma velha tradição: serviço de entrega em domicílio. "A maioria das lojas oferece", garante Luiz Carlos Cavalcante, presidente da Associação dos Comerciantes do Mercado de Pinheiros. "Já faz uns 20 anos que inventaram isso para cativar a freguesia."

Por causa das obras que vêm sendo feitas na região do Largo da Batata - com a instalação da Estação Faria Lima do Metrô -, Cavalcante já nota uma diferença no perfil do frequentador do espaço. "Está tudo joia aqui. Está prevista a inauguração de mais lojas e já registramos um aumento de 15% nas vendas, só em consequência das obras", comenta. "E vai ficar ainda melhor, quando tirarem essa coisa velha daqui da frente (um imenso terreno vazio), que vai integrar com a praça nova."

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