Mercado de seguros específicos para médicos está em alta

Em uma das operadoras, o número de benefícios vendidos para profissionais de saúde avançou 40% em 2 anos

O Estado de S.Paulo

22 de março de 2015 | 02h02

O número crescente de processos judiciais contra médicos acusados de erros no atendimento tem aquecido o mercado de seguros de responsabilidade civil profissional também no setor de saúde.

Comum nos Estados Unidos, o serviço já é oferecido por dezenas de seguradoras brasileiras. No caso dos médicos, garante a cobertura financeira se houver condenações judiciais em virtude de danos materiais provocados por um procedimento feito pelo profissional.

Na seguradora Mapfre, por exemplo, o número de seguros vendidos para profissionais de saúde cresceu 40% entre 2012 e 2014. Há três anos, foram registrados 9.281 serviços do tipo, incluindo apólices vendidas para médicos, dentistas, veterinários, fisioterapeutas, farmacêuticos e enfermeiros. No ano passado, esse número passou para 13.052.

No caso da Mapfre, a apólice cobre o valor da condenação ou do acordo extrajudicial feito entre o profissional e a vítima até o limite da garantia contratada, que pode chegar a R$ 600 mil.

De olho no mercado promissor, a Seguros Unimed passou a vender o seguro de responsabilidade civil profissional no ano passado. "Já somos a quinta empresa de um ranking de 22 companhias que atuam no ramo de responsabilidade civil profissional. Comparando a nossa performance com a de outras dez seguradoras que trabalham especificamente com a área médica, já ocupamos o segundo lugar", comemorou Marcelo Romano, superintendente de seguros patrimoniais da Seguros Unimed.

A empresa não quis informar o número de apólices vendidas em seu primeiro ano de atuação na área. Outras grandes seguradoras, como Porto Seguro e Ace, também estão nesse mercado específico.

Polêmica. Embora em crescimento, o serviço não tem o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM). "A relação médico-paciente tem de ser construída com base na confiança. Contratar um seguro contra erros vai fazer o médico ficar sempre na defensiva", disse José Fernando Vinagre, corregedor do órgão.

O advogado Julius Conforti, especializado em direito da saúde, ressalta que os pacientes devem ter evidências do erro antes de entrar com qualquer ação. "Sempre recomendo que as pessoas que imaginam ter sido vítimas de um erro reúnam todas as provas possíveis, como prontuário médico, exames, receitas. É importante que todos os documentos sejam previamente avaliados por outro médico, a fim de que se tenha certeza de que aquele resultado insatisfatório ou indesejado realmente decorreu de uma falha profissional", explicou. / F.C.

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