Mercado culpa ''rigidez'' do Plano Diretor

Especialistas ligados ao mercado imobiliário são unânimes em atribuir a migração de paulistanos para o ABCDOG às regras rígidas do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento de São Paulo - normas que regem o desenvolvimento urbano ao determinar limites de crescimento em diferentes bairros. Segundo essa visão, a legislação não contribui para que as pessoas morem perto dos locais onde trabalham, o que aumenta os problemas de deslocamento na cidade.

Rodrigo Brancatelli e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

De acordo com Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), essas leis diminuíram bastante o aproveitamento das áreas valorizadas de São Paulo, que são hoje bem menos verticalizadas do que poderiam ser. " O limite para construção em algumas áreas hoje é quase metade do que há alguns anos, e isso encareceu bastante o preço dos terrenos na cidade", diz.

Para João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), as restrições criaram um paradoxo. "Há vazios urbanos em São Paulo impossíveis de se trabalhar, principalmente nas áreas centrais e perto dos trilhos. Enquanto esses espaços ficam vazios, as pessoas têm de morar longe porque não há alternativa acessível na capital", afirma. Segundo ele, as incorporadoras que atuam no ABCDOG apenas espelham a demanda.

Já o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, relator do projeto do Plano Diretor na Câmara Municipal, considera que o problema dos vazios urbanos é, na verdade, um problema de gestão. "As leis criaram mecanismos que permitem controlar o processo de verticalização, mas eles não estão sendo usados devidamente. Era prevista uma revisão do Plano em 2006, por exemplo, e também a existência de operações urbanas que estimulassem a ocupação de certas áreas, mas grande parte disso não saiu do papel", diz.

PRÓS E CONTRAS

Trânsito

O tráfego local nas cidades do ABCDOG pode até ser menos carregado que o paulistano, mas, em compensação, o trajeto diário aumenta bastante para quem trabalha em São Paulo.

Preço dos apartamentos

Fora da capital, os imóveis chegam a custar até 30% menos - por isso, pode ser uma boa chance para adquirir apartamento em prédios com área de lazer, fitness e outras mordomias.

Serviços

Enquanto essas cidades já têm uma boa rede de serviços básicos, como supermercados e shoppings, é em São Paulo que se concentram os shows, cinemas, shoppings de alto padrão, peças teatrais e eventos culturais de grande porte.

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