Mercadão vai ganhar puxadinho no São Vito

Espaço deverá abrigar atividades ligadas à culinária; demolição será concluída em 2011

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2010 | 00h00

     O prefeito Gilberto Kassab (DEM) planeja fazer um anexo do Mercado Municipal no espaço que hoje é ocupado pelos Edifícios São Vito e Mercúrio, no centro de São Paulo. No local, deverão ser realizadas atividades ligadas à culinária e aos serviços que funcionam no Mercadão, como cursos de gastronomia e capacitação para funcionários. A previsão de Kassab é de que a demolição dos prédios seja concluída no primeiro semestre de 2011.

O anexo faz parte do plano de revitalização da Prefeitura para a área do Parque Dom Pedro II - que prevê também a demolição do Viaduto Diário Popular, a construção de dois pontilhões em nível sobre o Rio Tamanduateí e a revitalização da Rua do Gasômetro. Além do anexo, o quarteirão do São Vito também vai abrigar uma praça de 5.389 m² que será integrada ao Palácio das Indústrias (onde hoje funciona o Museu Catavento) e ao Parque Dom Pedro II, além de um estacionamento voltado a clientes e funcionários do Mercadão e visitantes da futura praça.

Um grupo de trabalho formado por secretários e técnicos da Prefeitura está elaborando o projeto do anexo e da nova praça, que deverá ficar pronto nas próximas semanas. Em seguida, as obras serão licitadas, mas só deverão começar no fim do ano que vem, depois que a demolição dos edifícios for concluída. Todo o processo deve demorar cerca de dois anos.

Outras obras. O projeto da atual administração para o Parque Dom Pedro II só poderá sair quando o Viaduto Diário Popular for demolido - ele separa fisicamente o quarteirão do São Vito e o Palácio das Indústrias. A demolição da estrutura - uma promessa antiga já feita por vários prefeitos - foi licitada por R$ 3,7 milhões e espera apenas a conclusão das obras dos pontilhões que vão absorver o tráfego que cruza a Avenida do Estado.

A Prefeitura, no entanto, não dá prazo para que isso aconteça. Segundo a administração, a licitação para a construção dos pontilhões está sendo preparada e deve ser lançada em breve.

Demora. Apesar dos anúncios de planos para a região, o histórico do entorno do Parque Dom Pedro II é marcado por muitos desejos polêmicos e várias promessas não cumpridas. A falta de vontade política e pendências judiciais atrasaram a destruição do Viaduto Diário Popular - uma obra que foi anunciada pela primeira vez durante o mandato de Luiza Erundina (1989-1992).

A demolição do São Vito também se arrastou por anos na Justiça - a Defensoria Pública do Estado queria que o local fosse destinado à moradia popular, e não a um parque ou estacionamento. As obras começaram de fato só em setembro e, até agora, dois andares já foram demolidos.

Ontem, em vistoria no local da demolição - que está sendo feita manualmente, uma vez que a possível implosão dos edifícios poderia danificar vitrais do Mercado Municipal -, Kassab afirmou que todo o entulho será reaproveitado para o recapeamento de ruas e pavimentação. "Esse material vai ser suficiente para 30 km de ruas asfaltadas."

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