Mercadão terá 'codfish balls' na Copa

Funcionários do ponto turístico têm aulas de inglês para o Mundial e já sabem vender bolinho de bacalhau e 'Bologna sandwich'

ARTUR RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

24 Abril 2012 | 03h03

Há nove anos trabalhando no Mercado Municipal de São Paulo, a atendente Maria de Lourdes Silva, de 52 anos, confessa que já passou por várias saias-justas quando apareciam estrangeiros por lá. "Um dia chegou um pedindo água e eu entreguei chá gelado", lembra, rindo. Daqui para frente, ficará mais difícil que ela passe por mal-entendidos como esse na pastelaria em que trabalha. Maria está entre os primeiros formados de um curso de inglês exclusivo para funcionários do Mercadão.

"Agora, pelo menos o que está no cardápio, eu já sei", conta Maria. Ontem, durante a cerimônia de entrega dos certificados, ela foi a oradora da turma e surpreendeu com um discurso todo em inglês. Apesar de engolir algumas palavras, se fez entender. "Mostrei antes para o professor e ele disse que estava certo."

As aulas fazem parte da preparação da cidade para a Copa de 2014. Conhecido pelos tradicionais sanduíche de mortadela (Bologna) e bolinho de bacalhau (codfish), o Mercadão é o quarto ponto turístico que mais atrai turistas na capital. "Mas pastel é pastel mesmo", destaca Maria.

Nessa primeira etapa do curso, 13 funcionários se formaram em uma parceria da São Paulo Turismo (SPTuris) com a Pontifícia Universidade Católica (PUC).

"A meta é que cada boxe tenha um profissional já capacitado", afirma o presidente da SPTuris, Marcelo Rehder.

As aulas estarão abertas a todos os funcionários interessados. Trata-se de um curso de nível básico e instrumental. São 40 horas de aula, voltadas às necessidades práticas de quem trabalha no local.

"As turmas devem ser pequenas, porque o resultado é mais positivo. Mas as pessoas têm dificuldades, é um curso muito rápido", observa o prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Rodoviárias e aeroportos. Além das turmas de inglês, já foram abertas classes de espanhol e há previsão para que também sejam criadas as de francês. O secretário especial para Articulação da Copa, Gilmar Tadeu, também anunciou cursos de línguas para funcionários das rodoviárias e dos aeroportos paulistas.

Com a proximidade de grandes eventos, o baixo índice de brasileiros que falam inglês preocupa. Pesquisa de março do Ibope revelou que só 13% dos brasileiros têm capacidade alta ou moderada de ler e entender o inglês. A média mundial é de 62%.

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