Mercadão tem blitz contra flanelinhas

CET e polícia se unem para evitar trabalho de guardadores de carros na região; 8 foram presos e operação não tem prazo para terminar

CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2012 | 03h05

A Polícia Civil e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) começaram ontem a agir juntas para impedir o trabalho de guardadores de carros clandestinos na região do Mercado Municipal, no centro da cidade. No primeiro dia de megablitz, o Mercadão ficou cercado de cavaletes com placas sobre a venda oficial de talões de Zona Azul e até uma tenda foi montada para tirar dúvidas dos motoristas que ficam reféns dos flanelinhas.

Oito pessoas foram presas por exercício ilegal da profissão. O delegado Fernando Schmidt de Paula, titular da Unidade de Inteligência do Departamento de Proteção à Cidadania (DPPC), disse que o lugar foi escolhido por ser "emblemático". "Recebemos muitos reclamações."

A operação, segundo ele, não tem prazo para terminar e será montada diariamente, das 7 às 18 horas. "Temos dois objetivos. Um é reprimir a ação dos flanelinhas. O outro é trazer segurança para os agentes de trânsito, para que eles realizem o trabalho sem repreensões dos guardadores",explica Schmidt.

Desde 6 de maio, 438 flanelinhas já foram autuados em 24 operações organizadas pelo DPPC. As fiscalizações começaram na vizinhança de estádios de futebol da capital durante grandes eventos. Nas últimas semanas, a polícia decidiu ampliar o foco de operações. No dia 20, a Polícia Civil já havia detido 14 flanelinhas no entorno do Mercado da Cantareira.

Outras quatro pessoas foram levadas para a delegacia, mas tinham registro profissional de guardadores de carro na Delegacia Regional do Trabalho e, por isso, foram liberadas.

Nos dias seguintes, os flanelinhas voltaram a atuar normalmente na área. Ontem, no primeiro dia da megablitz conjunta, a prisão dos guardadores pela manhã inibiu os colegas, que passaram a evitar a área.

Clientes e orientação. Um balcão de atendimento com funcionários destacados pela CET foi montado próximo do Mercadão. Ali, os motoristas eram orientados sobre como e onde estacionar nas proximidades. Os agentes também indicaram os pontos de vendas de cartões de Zona Azul para que o motorista pudesse estacionar seu veículo de maneira regular, evitando assim pagar mais caro a um guardador irregular.

Mesmo assim, frequentadores assíduos estranharam a ausência dos flanelinhas na Rua da Cantareira, principalmente à tarde. "Geralmente é só começar a andar mais devagar que eles já aparecem, balançando os braços. Hoje, não vi ninguém. Parecia que tinha até mais vagas na rua", afirmou o produtor Rafael Lasso, de 31 anos. Ele costuma ir ao Mercadão pelo menos uma vez por semana e evita deixar o carro na rua. "Tento parar no estacionamento, mas nem sempre tem vaga aqui", afirma.

A chef Natália Camarinho, de 27 anos, foi outra que notou que o movimento estava diferente. "Sempre fica um marronzinho por aqui. Mas hoje parece que tem mais. Acho bom, porque o trânsito aqui fica um caos", disse ela, que também costuma evitar deixar o veículo na rua. Por volta das 17h30, quando Natália saiu do mercado, os agentes de trânsito já começavam a recolher alguns cavaletes espalhados pelo quarteirão.

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