JB Neto/AE
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Mercadão recebe cliente com vidros estilhaçados

Piso do mezanino tem 49 placas quebradas e, segundo relatório de supervisor, oferece a comerciantes e visitantes ''estado visual deplorável''

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

01 Março 2011 | 00h00

Pelo menos um terço do piso de vidro do mezanino do Mercado Municipal Paulistano, visitado por sete mil pessoas todos os dias, está completamente estilhaçado. São 49 placas quebradas, algumas com pedaços de vidro soltando, que deixam o piso "em estado visual deplorável" e causam "desconforto aos visitantes" do maior mercado público da capital, segundo relatório assinado pelo supervisor de Abastecimento, José Roberto Graziano.

O piso de vidro colocado em 2004, aponta o relatório, não serve para o mezanino - que chega a concentrar 25% dos visitantes do Mercadão em fins de semana, quando a procura pelos restaurantes e barzinhos do piso superior é uma das principais atrações do local. Além dos pontos visivelmente estilhaçados, em alguns locais foram colocadas placas de borracha para cobrir estragos no piso.

"Quando o peso está bem distribuído, o vidro funciona. Mas percebemos que quebra quando há concentração em um só ponto. Um saleiro que cai já é suficiente para estilhaçá-lo", disse Jaime Tedesco, arquiteto da Supervisão de Abastecimento de São Paulo, responsável pelo Mercadão. Apesar do "estado deplorável", não há risco de o piso - apoiado em estrutura de ferro - ceder, segundo a administração. O mezanino de 2 mil metros quadrados, não previsto no projeto original de 1933, foi construído na reforma de 2004, que custou R$ 16,9 milhões.

Após verificar o problema, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, responsável pelo mercado, enviou pedido ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo (Condephaat) para vistoriar o piso e trocar o vidro por madeira. Ainda não há prazo, porém, para uma reforma começar.

Susto. Os vidros estilhaçados assustam visitantes e incomodam donos dos boxes do Mercadão, que avaliam a situação como "crítica" por causa da demora em trocar o "piso inviável". "Dá medo de passar de sandália pelos pontos em que o vidro está soltando. Tem de trocar, né? Desse jeito, prefiro não passar por cima", disse a administradora de empresa Alexandra Caregnin, de 27 anos, que almoça no Mercadão duas vezes por semana, "Começou a se agravar no ano passado. Fizemos reuniões e encaminhamos um pedido de reforma, mas até aqui não fomos atendidos. Só há consertos paliativos, caros e que não resolvem", disse Carla Fernanda Freitas, vice-presidente da Associação da Renovação do Mercado Municipal Paulistano.

Em abril de 2010, a Secretaria das Subprefeituras abriu licitação para trocar o vidro do piso, mas o processo foi interrompido. Ao custo de R$ 7 mil cada placa de 2,5 metros quadrados, a reforma dos setores quebrados custaria cerca de R$ 350 mil - um processo "oneroso, demorado" e apenas paliativo, na avaliação da Supervisão de Abastecimento. A empresa vencedora da licitação desistiu do serviço ao fim do processo.

"A melhor solução seria construir em madeira. É mais resistente e não prejudica as características arquitetônicas do local", disse o arquiteto Tedesco. "Na reforma de 2004, falava-se que o vidro ajudaria na iluminação dos boxes que ficam embaixo. Mas era tão fosco que não ajudava. Percebeu-se que não cumpriu sua função."

A Secretaria das Subprefeituras afirma não poder fazer a reforma enquanto não tiver autorização do Condephaat. O Conselho, por sua vez, aprovou a troca do piso, mas aguarda apresentação de projeto executivo para nova discussão.

O MERCADÃO POR DENTRO

Construído em 1933 com projeto de Ramos de Azevedo, o Mercado Municipal Paulistano abriga cerca de 300 boxes e recebe aproximadamente 50 mil pessoas por semana. Tem 12.600 m² de área e pé direito de 16 metros. Nos boxes, é possível encontrar de grãos a chocolates, de vinhos a embutidos. Em uma reforma em 2004, o Mercadão ganhou o mezanino de vidro, que concentra boa parte dos restaurantes e bares do local.

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