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Banheiro de faculdade em SP é pichado com mensagem racista

Mensagem dizia que a 'faculdade não é coisa de preto'; unidade informou que abriu sindicância para apurar o ocorrido

Caio Spechoto e Thales Schmidt, Especiais para O Estado

30 de outubro de 2015 | 17h06

Uma mensagem racista foi descoberta em um banheiro feminino da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo nesta semana. O texto dizia: "Faculdade não é coisa de preto. Turbante não é coisa de faculdade. FDSBC sem pretos". Outra mensagem, com teor parecido, também foi encontrada escrita em folha de papel dentro de uma sala de aula. Segundo um levantamento socioeconômico feito pela própria faculdade, cerca de 4% de seus estudantes são negros.

A unidade informou que já abriu sindicância para apurar o ocorrido e vai encaminhar ofícios para a Polícia Civil e para o Ministério Público. Para o diretor da Faculdade, Marcelo Mauad, as mensagens são uma resposta aos planos de implementar ações afirmativas. "Estamos discutindo instalar uma política de cotas. Aí, naturalmente, chamou a atenção". Mauad diz que há um primeiro plano de destinar 10% das vagas da unidade para cotas raciais a partir do vestibular de 2016. O diretor considerou o incidente um "caso isolado" e afirmou que pretender expulsar o responsável pelas pichações.

"O racismo é persistente. Pra mim, uma forma de o racismo se expressar é quando eu olho ao redor, para o corpo de alunos, e não consigo encontrar muitos pares. Mas, quando eu olho para os serviços terceirizados eu vejo muita gente que se parece comigo", diz Ágatha de Miranda, de 20 anos, estudante do terceiro ano e integrante do Comitê Pró-cotas.

A estudante do terceiro ano Bruna Gonçalves, de 20 anos, e integrante do Comitê Pró-cotas Direito SBC diz que a faculdade tem uma baixa representatividade de negros. Dos estudantes da faculdade, 78% se identificam como brancos, enquanto negros e pardos somam 19% (4% negros e 15% pardos), de acordo com estudo feito pela própria instituição. "A faculdade parece que não se importa (com a questão)", afirma Bruna. "Eu fiquei um pouco surpresa, jamais achei que chegaria a isso, não achei que fosse sair das rodinhas". Até agora, segundo contam, Bruna e Ágatha não tiveram nenhum professor negro durante a graduação. 

Bruna afirma que as pichações não foram o primeiro caso de racismo na faculdade. Durante um debate sobre cotas no primeiro semestre, a estudante diz que "tiveram alguns alunos que se retiraram da sala, porque quem estava compondo a mesa usava um turbante, disseram que era roda de macumba e que não ficariam na palestra".

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