Menores tiram fotos sensuais com armas dentro de delegacia

Corregedoria vai apurar a responsabilidade de um investigador acusado de levar as menores à delegacia

Luís Henrique Trovo, especial para O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2008 | 18h30

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo determinou nesta quinta-feira, 24, o afastamento imediato de um investigador de Ribeirão Corrente - cidade a 428 quilômetros da capital, no Norte do Estado, na região de Franca. Ele é acusado de corrupção de menores por ter tirado fotos sensuais de cinco meninas adolescentes, segurando armas de fogo, dentro da delegacia da cidade.  O caso foi descoberto através de uma mensagem anônima que um radialista de Franca recebeu. Marcelo Valim, da Rádio Difusora, teve acesso às fotos e apresentou-as à Delegacia Seccional, que confirmou o delito. O investigador acusado é Carlos Eduardo Evangelista, de 28 anos. Ele teria levado as meninas para a sessão de fotos em sua sala, com idade variando entre 13 e 17 anos.  Segundo o delegado seccional Maury de Camargo Segui, o investigador ingressou na Polícia Civil em fevereiro de 2006, começou a trabalhar em Ribeirão Corrente em novembro de 2007 e "ainda está em estágio probatório, o que permite o pedido de não confirmação dele na carreira. Ele também vai responder a inquérito policial e pode ser preso", diz. As fotos chegaram até o radialista Valim através do endereço eletrônico menoresderibeiraocorrente@yahoo, com o título "Basta, Basta". Foram divulgadas 17 imagens, sendo que quatro deles mostrava as meninas com armas nas mãos, exclusivas da polícia. De acordo com o delegado seccional, o investigador conheceu as garotas através do Orkut, site de relacionamento da internet. "Algumas delas já passaram pelo Conselho Tutelar. São adolescentes com problemas com seus familiares. Apreendemos o computador que o investigador usava. Irá para a perícia. Não temos dúvidas, o policial descumpriu com o seu dever", afirma.A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública informou que o caso já foi encaminhado para Corregedoria da Polícia Civil de Franca, que ficará responsável pela investigação. Uma das fotos foi tirada em frente à Delegacia de Ribeirão Corrente, onde é feito o atendimento ao público. Outra foto mostra duas adolescentes simulando uma abordagem policial, com as mãos na cabeça. A polícia identificou o investigador Evangelista em uma das imagens. Ele estaria sentado em uma cadeira ao fundo observando as meninas, com roupas curtas. Também foi identificado um bebê com idade entre 8 e 10 meses no colo de uma das meninas, possivelmente mãe da criança. O delegado Segui acredita que as fotos foram tiradas em dias diferentes, pois uma delas aparece com três roupas diferentes. "O investigador aproveitava a ausência do delegado para recepcionar as adolescentes. A cidade é pacata e o delegado da cidade trabalha meio período em Ribeirão Corrente e outro meio período em São José da Bela Vista", diz. Todas as meninas serão ouvidas pela Corregedoria da Polícia Civil nos próximos dias. Antes de ir para Ribeirão Corrente, Evangelista trabalhou na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Franca. Segui afirma que já está tomando providências para encaminhar um outro policial para substituir Evangelista. "Faremos de tudo para expulsá-lo da polícia. Como ele está em fase de estágio probatório, não será difícil excluí-lo da lista de funcionários públicos contratados", finaliza.

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