Menor que matou estudante no Belém confessou crime a irmão antes de se entregar

Rapaz tinha histórico de passagens por furtos e assaltos, segundo a polícia

André Cabete Fábio e Luciano Bottini Filho - O Estado de S. Paulo,

11 de abril de 2013 | 10h56

O adolescente que assassinou o estudante de Rádio TV Victor Hugo Deppman, de 19 anos, na frente da sua casa na terça-feira, 9, já havia cometido alguns furtos e era conhecido da polícia. Segundo o delegado Joaquim Dias Alves, titular da 5° seccional da Polícia Civil, o jovem de 17 anos havia contado sobre o assassinato para um irmão e não teria demonstrado arrependimento. “Está bem claro que foi ele o autor do crime”, afirmou Alves. Ele completa 18 anos nesta sexta-feira, dia 12.

O menor é acusado de matar Victor Hugo quando este voltava de seu estágio na RedeTV! para casa, às 20h50 da noite de terça-feira. As imagens da câmera de segurança mostram o adolescente roubando o iPhone do estudante, puxando sua mochila e atirando em sua cabeça em seguida. Deppman cursava o terceiro ano na Faculdade Cásper Líbero e deveria se formar no ano que vem.

O delegado afirmou que o jovem era violento e tinha intenção de matar. “Às vezes no latrocínio a pessoa não tem intenção de matar, mas é importante ressaltar que ele apontou para a cabeça da vítima”, disse. Ele também seria usuário de drogas e tem passagem pela Fundação Casa.

O promotor da Vara da Infância Luiz Henrique Brandão Ferreira disse que o suspeito relatou ter atirado porque a vítima tentou desarmá-lo. Imagens do circuito de segurança do edifício, no entanto, mostram que o estudante não reagiu. O assassino pode pegar pena de até três anos de internação na Fundação Casa.

Para o delegado, ele agiu sozinho. “Ele estava dando uma volta pelo bairro, procurando uma vítima para assaltar, quando viu o estudante”, disse Alves. Segundo o delegado, a foto do RG do garoto comparada com a imagem das câmeras de vigilância confirma que ele é o autor do assassinato.

Seguindo pistas de informantes, a polícia se dirigiu na tarde de ontem à Favela Nelson da Cruz, em que o jovem morava, a cerca de um quilômetro do local da cena do assassinato. O adolescente havia se escondido desde a madrugada anterior e não foi encontrado durante o pente-fino das autoridades. O plano da família era viajar para o Nordeste com o garoto. Mas, com a movimentação policial, ele  se entregou acompanhado da mãe ao Juizado da Infância, na Rua Piratininga, no Brás. Lá, assumiu o crime.

Marisa Deppman, mãe do rapaz assassinado, disse em entrevista à Rádio Bandnews nesta quinta-feira, 11, que vai se engajar na luta contra a violência e pela redução da maioridade penal. Ela afirmou que não quer “sensacionalismo com o nome do seu filho”. Marisa  disse também que vai participar de uma passeata organizada por uma associação do bairro Belém pela redução da maioridade penal.

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