Menor pôs fogo em dentista, diz a polícia

Ele se irritou porque ela só tinha R$ 30 na conta; discussão sobre lei mais rígida deve ser ampliada

ANDRÉ CABETTE FÁBIO, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2013 | 02h00

Segundo a polícia, foi um adolescente de 17 anos que pôs fogo na dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, de 47 anos. Ele foi apreendido na madrugada de ontem na Favela Santa Cruz, em Diadema, no ABC paulista. Outros dois acusados foram presos. A detenção deve ampliar o debate sobre a necessidade de rever o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ampliar penas para infratores.

"Lamentavelmente, mais uma vez é um menor", disse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pela manhã, em Barretos. À tarde, o delegado-geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Blazeck, afirmou que todos os acusados confessaram participação no assassinato. Mais dois adolescentes não relacionados diretamente com o crime foram detidos - eles teriam dado cobertura na favela aos suspeitos.

A dentista foi incendiada em seu consultório na quinta-feira. Segundo a polícia, enquanto o líder do bando, Victor Miguel Souza Silva, de 24 anos, e o menor de idade a mantinham em cativeiro, a cobriram com álcool e passaram a ameaçá-la com um isqueiro. Nesse momento, Jonatas Cassiano Araújo, de 21 anos, se dirigiu a um posto de gasolina, para sacar o dinheiro da conta da vítima.

Lá, verificou que ela tinha apenas R$ 30 e avisou os comparsas por celular. Irritado com a notícia, o adolescente resolveu incendiar a vítima. "Ele conta como se fosse o capítulo de uma novela", afirmou a delegada Elisabete Sato, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Araújo foi flagrado pelas câmeras internas do posto. Outro participante, Thiago de Jesus Pereira, de 25 anos, permanece foragido e seria o encarregado da fuga do local do crime.

A polícia informou que o grupo pode ter participação em até oito casos de roubos similares em clínicas. Em uma investigação antiga, a ficha cadastral com informações de Victor Miguel foi encontrada pela polícia no lixo de um consultório no Parque Bristol, onde teria ido no dia 12 disfarçado como cliente, antes de anunciar o roubo.

Polêmica. O assassino completa 18 anos em junho e, mesmo que receba medida socioeducativa, só poderá ficar detido por três anos. Se fosse adulto, poderia ser condenado a até 15 anos de prisão. O caso deve ser usado pelas autoridades paulistas em defesa da proposta do governador Geraldo Alckmin de ampliar a pena para infratores.

Ontem, em uma coletiva de imprensa repleta de autoridades da segurança pública paulista, tanto a chefe do DHPP quanto o secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, defenderam mudanças no ECA. "Temos uma legislação falha, que é bastante precária, e não podemos viver mais situações como esta. Estamos o tempo todo deixando desprotegidos os cidadãos", ressaltou Grella.

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