Menor estância tem a melhor estrutura

Com 2.707 habitantes, Águas de São Pedro tem quase todos os seus domicílios com luz e esgoto

Edison Veiga e Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2011 | 00h00

Em população, é a menor estância do Estado, com apenas 2.707 habitantes. A pequena Águas de São Pedro, no entanto, coleciona os melhores índices de infraestrutura básica entre as estâncias paulistas: 97,5% de seus domicílios têm rede de esgoto, 99,9% têm água encanada e coleta de lixo e todos têm energia elétrica. "O desafio de administrar uma cidade assim é conseguir manter o nível de qualidade", afirma o prefeito, Paulo Ronan (PSDB).

Pelo último censo, de 2010, a população da cidade cresceu 43,75% na última década - em 2000, eram 1.883 habitantes.

Trata-se de um recanto turístico tradicional. A legislação estadual já falava em "estância hidromineral de Águas de São Pedro" em 1940, apesar de o título de "estância turística", pelos moldes atuais, ter sido concedido por uma lei de 1986.

"Conhecemos a cidade há 25 anos e nos encantamos", diz a instrumentadora cirúrgica aposentada Selma Rangel Sabbag, de 68 anos. Ela e o marido - o engenheiro aposentado Carmo Sabbag, de 77 - vão com tanta frequência à cidade que decidiram alugar um flat. "Passamos 15 dias por mês aqui."

Eles são de Santos, a 3h30 de carro dali. "Aqui temos todo o balneário, com massagens, banhos, saunas... Um monte de coisa para fazer."

Na sexta-feira, saiu a aprovação do projeto de reforma do balneário, orçada em R$ 1 milhão. As obras consumirão mais da metade do montante liberado pelo governo do Estado para o município neste ano - o total da verba é de R$ 1,8 milhão. A reforma deve ser iniciada no segundo semestre.

História. Águas de São Pedro faz parte de um grupo de estâncias cuja história se confunde com o conceito que deu origem a esses locais. As primeiras foram criadas antes de se tornarem municípios, em 1921, quando o governo do Estado desapropriou áreas "para estabelecimento de estâncias de águas, tendo em vista a salubridade pública".

Na primeira metade do século passado, principalmente nos anos 1930, esses locais foram chamados de "estâncias de cura", pois eram vistos como refúgios terapêuticos em razão de condições naturais e ambientais privilegiadas - na época, o escritor Nelson Rodrigues, por exemplo, buscou tratamento para tuberculose em Campos do Jordão.

Com o passar dos anos, o repasse de verbas às estâncias se tornou sistemático e o governo do Estado passou a ceder a pressões políticas para conceder o título ao maior número possível de municípios.

"Tem muita cidade sem condição de ser estância. Vira por questão política e depois cria atrações (turísticas) com a verba do Estado", critica a prefeita de Campos, Ana Cristina Machado César (PPS).

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