Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Menor diz que suspeito admitiu morte de dentista em São Bernardo

Jonatas Cassiano Araújo, de 21 anos, teria lhe ligado falando do crime e mais um suspeito foi identificado; vítima foi queimada viva em um assalto na quinta-feira

Bárbara Ferreira Santos, Breno Pires e Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

26 Abril 2013 | 10h18

Atualizado às 15h13

SÃO PAULO - Um menor apreendido na madrugada desta sexta-feira, 26, por suposta participação no assassinato da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, de 47 anos, afirmou à Polícia Civil que um dos principais suspeitos de cometer o crime, Jônatas Cassiano Araújo, de 21 anos, ligou para ele confessando o latrocínio - roubo seguido de morte. Um segundo suspeito foi identificado pela polícia e também é procurado. Cinthya morreu após ser queimada viva dentro de seu consultório, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, na tarde dessa quinta-feira, 25.

O menor foi pego em casa, também em São Bernardo, por volta das 2h30 da madrugada, após uma denúncia anônima feita à Polícia Militar. A corporação disse inicialmente em nota que ele próprio havia confessado o crime. No entanto, acabou liberado do 2º DP da cidade depois que seu envolvimento foi descartado.

Segundo o delegado seccional de São Bernardo, Waldomiro Bueno Filho, o menor contou que chegou a ser convidado para o roubo, mas não pôde ir - o motivo não foi esclarecido. Também afirmou que um dos suspeitos ligou para ele depois do assassinato contanto. "O colega telefonou dizendo que tinha dado m.", afirmou o delegado.

A mãe de Araújo foi identificada pela PM na noite de quinta e reconheceu o filho em imagens de uma câmera de segurança mostradas na delegacia. Ela foi encontrada porque seu carro, um Audi preto, foi usado na ação pelos bandidos. O veículo foi apreendido no prédio da mãe nesta sexta-feira e encaminhado para perícia.  

De acordo com as investigações, ao menos três homens participaram do crime. Segundo o delegado seccional de São Bernardo, Waldomiro Bueno Filho, a polícia acredita que um quarto bandido aguardava na frente do consultório, dentro de um Audi preto. Ele desconfia que uma quadrilha especializada em assaltos a consultórios esteja agindo na região. "Temos investigações em andamento, já temos imagens de um dos bandidos e em pouco espaço de tempo vamos tirá-los de circulação", afirmou.

No prédio da mãe de de Araújo, um condpmínio de classe média no bairro Pauliceia, também foi encontrado um Honda Fit preto, pertencente a uma outra dentista assaltada no Sacomã no dia 12.

O assalto. Os criminosos invadiram a clínica odontológica a Cinthya e dois deles roubaram-lhe o cartão de crédito para fazer um saque em um caixa eletrônico. Após constatarem que a dentista só tinha R$ 30 na conta, eles retornaram ao consultório, atearam fogo na vítima e fugiram.

Cinthya atendia uma paciente - cujo nome não foi divulgado - quando os criminosos apertaram a campainha. Um dos bandidos disse que precisava de atendimento odontológico e a dentista abriu o portão, momento em que mais dois criminosos invadiram a casa. A paciente ficou com os olhos vendados durante todo o assalto e teve a bolsa, o celular e dinheiro roubados.

Segundo o delegado seccional, a paciente - que não ficou ferida - conseguia ouvir a dentista gritando "não faz isso" e pedindo socorro. "Ela tentou apagar o fogo quando os bandidos fugiram, mas não foi possível. A dentista morreu em menos de três minutos."

Vizinha de Cinthya, Lindacim de Olivera, de 54 anos, sentiu o cheiro de queimado e ouviu os gritos da dentista. Foi ela quem chamou o Corpo de Bombeiros. "Ouvi alguém pedindo socorro e fui até o portão do consultório ver o que estava acontecendo."

O consultório de Cinthya funcionava nos fundos de sua casa. Ela morava com os pais e uma irmã, que tem deficiência mental. O pai dela, Viriato Gomes de Souza, de 70 anos, afirmou que ela não costumava ficar sozinha em casa no horário do almoço. "Ela ia buscar a irmã na escola, mas, como tinha uma paciente, eu fui com a minha mulher."

Quando o pai chegou à rua, viu a movimentação na frente de casa. Foi avisado pelos vizinhos da morte da filha. "Quis entrar, tentei reanimá-la, mas já não dava para fazer nada."

Emocionado, ele diz não saber o motivo de tamanha brutalidade. "Ela era uma pessoa boa, sem inimigos. Agora, a gente não sabe o que vai fazer da vida, se continuará morando lá. Espero que ninguém precise passar pela dor que estou passando."

O enterro da dentista está marcado para as 13h no Cemitério Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.

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