Menor de 17 anos é detido por assassinato na Virada Cultural

Morador de Pirituba, na zona norte, foi preso com colega de 22 anos

Bruno Ribeiro - O Estado de S. Paulo,

25 Maio 2013 | 16h07

(Texto atualizado às 17h01)

SÃO PAULO - A Policia Civil de São Paulo informou na manhã neste sábado, 25, que identificou e deteve duas pessoas acusadas de participação na morte do balconista Elias Martins Morais Neto, de 19 anos, assassinado com um tiro na cabeça depois de ser assaltado na Virada Cultura, no centro da cidade, na semana passada. Um dos suspeitos é um adolescente de 17 anos, que já foi detido 12 vezes por outros crimes e é enteado de um policial militar.

Segundo o delegado seccional do Centro, Kleber Altale, o menor e o cabeleireiro Renan Alves de Souza Costa, de 22 anos, estavam participando e arrastões durante a virada – o registro oficial da Prefeitura deu conta de 12 crimes desse tipo – e aproveitaram para assaltar Morais, que estava com a mulher e um casal de amigos. "Eles foram presos com 17 chips de telefones celulares", disse o delegado.

Usando a arma, a dupla rendeu os dois casais e levou as bolsas das mulheres. Na hora, o balconista levou uma coronhada na cabeça mas, segundo a polícia, teve a impressão de que a arma era de brinquedo. Por isso, decidiu perseguir a dupla.

Imagens de câmeras de segurança instaladas na Rua Aurora, no centro, obtidas pela polícia, mostram o momento em que o adolescente se desfaz da bolsa da mulher de Morais. Ele ficou com o celular da vítima, no entanto. As mesmas imagens mostram o rapaz passando correndo, instantes depois, seguindo na direção da dupla.

Os acusados, no entanto, se separaram. Costa virou à direita ao chegar na Avenida Rio Branco. O menor andou no sentido da Avenida Duque de Caxias, armado. Morais optou por seguir o menor.

“Quando eles se encontraram, entraram em luta corporal e o rapaz terminou baleado”, disse o delegado Altale.

Fuga. A polícia apurou que, depois do crime, o menor pegou um ônibus no sentido de Pirituba, na zona norte da cidade. Eles estava de blusa e calça de moletom e, dentro do coletivo, tirou a roupa. “Quando saem para roubar, alguns ladrões têm bermuda e camiseta por baixo. Era o caso dele”, disse o delegado que presidiu o inquérito sobre o crime, Fabiano Vieira, do 3º Distrito Policial (Campos Elíseos).

Outra informação que levou à detenção dos suspeitos foi o rastreamento do sinal do telefone celular de Altale. “As antenas captaram o sinal, que foi até Pirituba”, completa o delegado.

Em entrevista à TV Record, a mulher de Morais disse que ligou para o telefone do marido após o crime e foi zombada pelos acusados, que afirmaram que ela teria de criar a filha do casal, de 1 ano, sozinha. A polícia disse que foi o maior, Costa, quem atendeu.

Prisão. Na noite de sábado, após colher outras informações e localizar o endereço dos suspeitos, policiais de duas delegacias da cidade seguiram para a região de Pirituba. O menor foi encontrada em uma viela do bairro – o endereço exato não foi fornecido pela polícia ao Estado. O cabeleireiro Costa foi localizado na casa da sogra, no mesmo bairro.

A polícia disse ainda que Costa tinha munição para revólver calibre 32 na casa e que ele também vai responder por porte ilegal de munição. Mas não confirmou se esse é o calibre das balas que atingiram Morais.

Ainda segundo o delegado Vieira, o menor disse que a arma usada no crime foi jogada pela janela do ônibus em que o rapaz fugiu. “Ele não quis de forma nenhuma dizer como conseguiu a arma”, afirmou o delegado.

Confissão. Após serem detidos, os dois rapazes foram interrogados e, segundo a polícia, confessaram o crime. A confissão do menor só ocorreu, de acordo com o delegado seccional da Sé, depois de o padrasto do garoto, policial militar da ativa, comparecer à delegacia e convencer o rapaz a falar a verdade. “Ele colaborou muito”, disse o delegado, sem identificar o colega militar nem dizer se ele trabalha em algum batalhão da capital.

A reportagem não teve acesso aos acusados nem a familiares ou advogados que podessem confirmar ou contestar as informações repassadas pela Polícia Civil.

Divulgação. Antes da entrevista coletiva convocada pela Polícia Civil para divulgar o esclarecimento da morte de Morais, a identificação e a detenção dos dois rapazes foi anunciada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), durante visita a obras do Metrô na zona sul da cidade, na manhã deste sábado. A falta de segurança durante a Virada deste ano, a primeira da gestão Fernando Haddad (PT) e que teve entre as atrações a volta do grupo Racionais MC's, havia provocado polêmica durante a semana.

Na última segunda-feira, o governador chegou a questionar a escolha dos locais para os shows, enquanto o prefeito Haddad teve de responder perguntas sobre um boicote na segurança, feito por policiais militares descontentes com a Prefeitura. Além de Morais, um outro rapaz foi baleado durante a Virada. Ao todo, seis pessoas foram esfaqueadas.

Ao anunciar a prisão, o governador aproveitou para comentar a redução nos casos de homicídio registrados no Estado no último mês. As estatísticas de segurança, que vinham em consequentes aumentos de mortes, foram divulgadas na sexta-feira pela secretaria de Estado da Segurança Pública, com queda de 7,7%. Alckmin atribuiu o resultado a uma atuação maior da polícia militar, afirmando que a população carcerária do Estado recebeu mais 9.000 pessoas neste ano.

Os números, no entanto, mostram que os roubos e os latrocínios (assaltos seguidos de morte) continuam em crescimento. No último caso, só na capital esse aumento foi de 55%, segundo o balanço. É por esse crime que o cabeleireiro Costa será acusado. O menor foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude.

 

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