Menino teve gripe semanas antes de morrer no Hopi Hari

Mãe do garoto afirma que ele era saudável; delegado irá intimar colegas e representantes do parque

Tatiana Fávaro, do Estadão,

03 de outubro de 2007 | 15h11

Terminou às 14 horas desta quarta-feira, 3, o depoimento de Marli Aparecida Satalo, 51 anos, mãe do estudante Arthur Wolf, 15 anos, que morreu na última sexta após passar mal em brinquedo no parque temático Hopi Hari.   Segundo informou o delegado titular de Vinhedo, Alexandre José Prado Souza, a informação mais importante dada por Marli foi a de que Arthur era um garoto saudável, mas esteve há cerca de duas semanas em um posto de saúde de Santo André por causa de uma gripe.   O delegado informou que vai intimar colegas de escola do garoto, responsáveis pelo Colégio Etip, de Santo André, e representantes do Hopi Hari para prestar depoimento. As datas ainda não foram definidas.   A mãe do garoto não quis dar entrevista. O pai de Arthur, o funcionário público Wanderlei Wolf, 54 anos, afirmou que o filho nunca teve nenhum tipo de alergia, asma, ou problema no coração. "Meu filho sempre foi saudável. Praticava esportes e era escoteiro", disse Wolf.   "A vida me pregou uma peça. Sempre pensei que eu iria morrer e meu filho levaria a alça do meu caixão. Nunca pensei em levar a alça do caixão dele."   Wolf informou também que no dia da excursão seu filho tomou um café da manhã reforçado, com pão, frutas e cereais. "Além disso a mãe encontrou um tíquete de uma lanchonete no bolso da calça dele. Ele estava bem alimentado", disse. Ele acrescentou que, aos 13 anos o menino havia sido levado a um hebiatra (especialista em adolescentes) e havia sido considerado um garoto sadio.   Laudos   O brinquedo Labirinto, no qual Arthur Wolf passou mal, era um corredor de aproximadamente 130 metros no qual atores disfarçados de monstros davam sustos nos visitantes. Nos ambientes, havia uma fumaça. Peritos do Instituto de Criminalística (IC) de Campinas apreenderam na terça-feira a máquina de fumaça utilizada na atração e o líquido usado no equipamento.   De acordo com o delegado seccional de Campinas, Paulo Tucci, o líquido será analisado para a polícia saber se havia algum tipo de substância que pudesse ter causado reação alérgica no garoto. O Hopi Hari informou que a substância utilizada no brinquedo é "neutra e inofensiva" e nunca causou sequer desconforto aos visitantes. Em cinco anos de temporadas da Hora do Horror, ao menos 300 mil pessoas passaram pela atração e não havia registros de casos de mal-estar.   O Instituto Médico Legal de Jundiaí (IML) também apura a causa da morte. Em laudo preliminar o IML indicou morte por edema pulmonar (acúmulo de água nos pulmões). O instituto aguarda os resultados dos exames microscópicos. Tanto os laudos do IC quanto os do IML devem sair em prazo de 30 a 60 dias.   A família informou que aguardará a conclusão dos laudos para avaliar que providências tomará. "Não sei o que aconteceu. Só vamos saber depois dos laudos. O parque deu toda a assistência possível e a polícia técnica tem seus prazos", disse o pai do garoto.   Matéria ampliada às 19h41

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