Menino saiu do Haiti com mais 13 crianças

Esquema de tráfico de pessoas foi descoberto depois que garoto de 11 anos se perdeu de uma sequestradora na Estação Itaquera do Metrô

Bruno Ribeiro e Marcela Spinosa, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2010 | 00h00

O haitiano Jean (nome fictício), de 11 anos, encontrado em São Paulo após se perder da sequestradora na Estação Itaquera do Metrô, pode ter vindo ao Brasil via Guiana Francesa. E outros meninos o teriam acompanhado. Segundo o cônsul do Haiti na cidade, George Samuel Antoine, o garoto disse ter saído da ilha caribenha com mais 13 crianças. O consulado diz, porém, que não há como comprovar isso.

Jean está sob custódia da Justiça há quatro meses. Conforme a reportagem publicou ontem, a suspeita é de que ele tenha vindo a São Paulo em um esquema de tráfico de seres humanos.

Antoine acredita que, por ele ser branco, foi mais difícil se aproximar do menino e, por isso, chamou um haitiano negro para servir de intérprete entre Jean e os investigadores da Polícia Federal e da Interpol.

Entre as informações fornecidas por Jean, está um telefone que seria de parentes dele. O cônsul afirma que telefonou para o Haiti e uma suposta tia perguntou se Jean havia voltado da viagem e se estava em Porto Príncipe, capital do Haiti. Não há confirmação, porém, se o número é mesmo da família do garoto nem se a mãe está viva.

Por causa da falta de estrutura no Haiti e do atendimento que o menino tem recebido em São Paulo - considerado "excelente" pela representação haitiana -, o advogado do consulado, Edison di Paola, avalia que a embaixada do país não deve se opor à permanência da criança no Brasil caso sua família não seja encontrada ou se descubra que o garoto sofria maus-tratos.

A pedido da Justiça, um passaporte foi pedido para Jean. "O consulado não emite passaporte. Isso é feito em Washington, nos Estados Unidos. A documentação deve ficar pronta já na semana que vem", disse Antoine.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que a Polícia Federal solicitou apoio para que autoridades do Haiti encontrem a família do menino. Jean está em um local secreto, protegido pela Justiça e na companhia de crianças. "Ele ganhou uma bola e joga muito bem", revelou di Paola.

PARA LEMBRAR

Garoto está sob proteção

Jean (nome fictício), de 11 anos, apareceu na listagem de crianças desaparecidas da ONG Mães da Sé. Ele é do Haiti e não fala português. Teria se perdido de uma mulher, provavelmente com ligação com os sequestradores, em uma estação do Metrô. A queixa de suposto sumiço, ocorrido em 27 de dezembro, foi feita à ONG na segunda-feira. O garoto, no entanto, está em poder da Justiça desde 29 de janeiro. O homem que comunicou o desaparecimento diz ser amigo da família do garoto. A principal suspeita é de que Jean é vítima de uma rede de tráfico de pessoas e seria levado para a Europa. O menino está sob proteção da Justiça.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.