Reprodução Facebook/Arquivo familiar
Reprodução Facebook/Arquivo familiar

Menino de 5 anos morre atingido por bala perdida no réveillon em SP

Família buscou atendimento para Arthur durante toda a madrugada do dia 1º, mas demorou a encontrar vaga em UTI especializada

Ana Paula Niederauer, Bibiana Borba e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2018 | 07h45

SÃO PAULO - Um menino de cinco anos morreu depois de ser atingido por uma bala perdida na cabeça durante a queima de fogos da virada do ano na zona sul de São Paulo. Arthur brincava no quintal da casa da família, no bairro Campo Limpo, quando caiu subitamente. Só depois de exames os pais perceberam que um projétil de arma de fogo o havia atingido. 

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Em publicações no Facebook, familiares relataram que tentaram buscar vaga para Arthur em vários hospitais durante toda a madrugada do dia 1º, sem sucesso. Ele estava em estado gravíssimo e precisava ser atendido em uma UTI infantil. A internação em um leito especializado só foi possível às 7 horas da manhã, no Hospital Geral Pirajussara, em Taboão da Serra.

"Horas de dor e muita dor, horas de raiva, um dos sentimentos mais cruéis que se possa ter, tanto com quem efetuou o disparo e com este nosso sistema falido. Desde uma ligação para o SAMU, que a resposta é tão lenta que o desespero toma conta, quanto de hospitais que não se preocupam mais com a vida e sim com o mundo capitalista!", disse um tio do menino.

A transferência demorou, segundo a família, devido à falta de equipe e de ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) com UTI. A família se dispôs a pagar uma ambulância particular, mas foi informada que não havia médico disponível para acompanhá-lo na madrugada. O menino morreu no final da tarde dessa segunda-feira, 1º.

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"Essa pessoa (que provavelmente atirou para o alto) deve saber que destruiu uma família", disse a tia de Arthur, muito abalada, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil da TV Globo.

A ocorrência policial foi registrada e será investigada pelo 89º Distrito Policial (DP), no Morumbi. A secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) informou que o caso está em apuração e deve divulgar posicionamento nesta terça, 2.

Hospitais

Por meio de nota, o Hospital Family informou que o paciente foi rapidamente atendido na emergência da unidade e que a criança deu entrada com uma suspeita de queda por causa de uma convulsão, informação dada pela família. O hospital afirmou que o garoto já estava um dano neurológico importante. “De qualquer maneira, ressaltamos que o tratamento para traumatismo por queda ou por bala perdida inicialmente é o mesmo, pois os dois são traumatismo crânio-encefálico”.

O hospital disse ainda que, como não tinha uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, iniciou um processo de transferência às 1h11 em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), que só terminou às 4h53. “Ligamos para 12 hospitais e todos não dispunham de vagas. O paciente foi acolhido e atendido de maneira correta e é importante enfatizar que não houve prejuízo do atendimento enquanto se aguardava a transferência.”, informou, em nota.

A Secretaria de Estado da Saúde disse que não recebeu solicitação de transferência por meio do sistema da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross), rede que cruza a oferta assistencial disponível e as necessidades dos pacientes.

O hospital informou que desconhecia a necessidade de busca por vagas pelo sistema, mas afirmou que o método usado para fazer a procura “não anula o fato de que não havia vaga nestes hospitais”. Disse ainda que ofereceu uma ambulância à família para a realização da transferência, mas que ela foi recusada e que os parentes da criança disseram que acionariam o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Já a Secretaria Municipal de Saúde de Taboão da Serra disse que o Hospital Family acionou o Samu às 1h26 e que uma versão básica da unidade foi encaminhada ao hospital, pois o serviço não tinha recebido a informação de que a criança estava baleada e precisaria de uma unidade com UTI. O médico do hospital foi orientado a entrar em contato com o Hospital Geral Pirajussara para relatar o caso e que, às 5h38, dois médicos do Family acompanharam a transferência da criança.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, Arthur deu entrada no Hospital Geral Pirajussara em estado gravíssimo às 6h20 e foi submetido a um procedimento cirúrgico, mas não resistiu ao ferimento.

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