Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Menino de 12 anos faz sucesso na web ensinando crochê

Junior Silva, do interior de São Paulo, mostra técnica em vídeos ao vivo; preconceito não é barreira: 'levo na esportiva'

Júlia Marques, O Estado de S. Paulo

22 Julho 2017 | 03h00

Os dedos ágeis dão conta de um tapetinho de crochê em poucos minutos, enquanto o olhar está fixo na tela – não a da televisão, como as vovós que povoam nosso imaginário, mas a do celular. Junior Silva, de apenas 12 anos, é youtuber, como muitos de sua idade, e “crocheteiro”, como muito poucos.

O menino tomou gosto pela atividade depois de observar a avó e a tia. “Eu tinha 11 anos, pegava a agulha e fingia que estava fazendo. Aí pedi para elas me ensinarem o ponto alto”, conta. Um ano depois, a avó já não consegue acompanhar o neto na costura – nem as publicações na internet. “Gosto bastante e aí surgiu essa rapidez”, explica o menino. 

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A vontade de compartilhar o gosto pela costura veio depois de publicar em um grupo no Facebook uma foto de um tapete colorido que ele mesmo fez. “Bastante gente gostou. Depois, comecei a fazer vídeo, live (vídeo ao vivo) e assim foi crescendo o meu público”, conta ele, orgulhoso dos milhares de seguidores que já conquistou nas redes sociais. 

Nos vídeos, Junior dá dicas de pontos e linhas enquanto costura e ainda interage com quem acompanha os lives – a maior parte do seu público é formado por mulheres mais velhas. Os espectadores comentam ao vivo de vários Estados do Brasil e até de outros países como Espanha e Chile. 

Apesar do sucesso nas redes, a família toma cuidado para que o hobby pelo crochê e pela internet não impeça o menino de viver como qualquer outro. “Ele não é uma criança vidrada na internet. Às vezes, fica três dias sem, e fica tranquilo”, conta a mãe, Denise Vieira, de 32 anos, que acompanha as publicações de Junior, mas não sabe fazer crochê. 

Na pequena cidade de Iaras (SP), onde a família mora, Junior é reconhecido por onde vai, segundo a mãe, mas leva vida normal. “Gosto de brincar de pega-pega, esconde-esconde. Essas coisas, sabe?”. Sempre que dá, sai para tomar sorvete com os amigos. E a mãe vive de olho no boletim. 

“Ele também tem de estudar e fazer outras coisas, brincar. Como as notas estão boas, a escola até liberou antes (do recesso) para viajar”, conta Denise. De férias antecipadas, o menino veio a São Paulo, para passar alguns dias na casa do pai. Na mala, juntou linhas, agulhas e peças que já tinha começado a fazer. 

“Crochê é uma arte bem bonita. Faço muitas coisas diferentes e coloridas”, diz o menino, que já ensinou alguns amigos e até a irmã Yasmin, de 9 anos. Embora tenha os seus fãs, há também quem o critique por acreditar que crochê não é coisa de criança, muito menos de menino. “No começo eu ficava chateado, mas agora não ligo. Eu levo na esportiva.” 

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São Paulo [SP]

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