Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Menino de 11 anos diz que amigo morto por PM não estava armado

Em terceiro depoimento, na sede da Corregedoria da Polícia Militar, garoto afirmou que revólver foi plantado pelos agentes de segurança

Alexandre Hisayasu, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2016 | 10h17

SÃO PAULO - O menino de 11 anos que se envolveu em um furto de carro que terminou em perseguição e na morte do amigo de 10 anos, baleado na cabeça por um policial militar, prestou um terceiro depoimento no domingo, 5, na Corregedoria da Polícia Militar. Dessa vez, ele afirmou que o amigo não estava armado e que o revólver foi plantado pelos policiais. 

A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada ao Estado pela mãe do menino.

O Estado apurou que os corregedores foram buscar o menino e a mãe em casa. Depois seguiram para a sede da Corregedoria, no Bom Retiro, na região central da capital paulista. Para conquistar a confiança da criança, uma psicóloga ficou conversando com ela em uma espécie de brinquedoteca. Lá,  ele contou a nova versão. Em seguida, o depoimento oficial foi realizado. 

Na primeira versão, gravada em vídeo pelos policiais envolvidos na ocorrência (veja abaixo), o menino disse que ele e o amigo furtaram um carro de um condomínio, na Vila Andrade, na zona sul, e foram perseguidos pela PM. O garoto de 10 anos dirigia e atirava contra os policiais. Quando o veículo bateu, o ele ainda fez um último disparo e foi morto no revide. 

Na segunda versão, o menino afirmou que o amigo dirigia e atirava. Mas quando o carro bateu e parou, não houve tiroteio. O policial de moto chegou e atirou na cabeça do garoto. O sobrevivente saiu do carro, foi colocado no chão, levou um tapa e foi ameaçado pelos policiais.

A mãe do menino morto será ouvida na manhã desta terça-feira, 7, no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso. O menino sobrevivente deve ser chamado novamente para prestar depoimento. 

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