Felipe Frazão/AE
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Menino avisou colegas que traria arma à escola

Crianças comentaram assunto em velório; aos PMs que atenderam a ocorrência, alunos relataram que D. escondeu revólver no banheiro

Felipe Frazão e William Cardoso, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2011 | 22h45

SÃO PAULO - O garoto D. contou a colegas que levaria um revólver para atirar na professora Rosileide e mostrou a arma a eles, segundo os meninos. A nenhum deles, no entanto, ele contou o motivo. A primeira menção do ataque contra a professora teria sido feita na quarta-feira, dia anterior ao disparo. A professora de Ciências e Geografia, Priscila Rasante, afirmou que ouviu que o menino teria comentado com colegas, um dia antes do crime, que mataria Rosileide.

"Ele falou que ia matar a professora e se matar, senão o pai brigaria com ele", disse D.A.S., de 10 anos, colega de sala do garoto. Ele diz que pouco antes do disparo, no recreio, brincou de pega-pega com D. Eles se conheciam havia dois anos. "Ele sentava na penúltima carteira da segunda fileira da sala. E era calado. Não disse por que atiraria."

O garoto conta também que foi ao banheiro logo no início da aula de Português. Quando voltou à classe, encontrou D. no corredor, depois do primeiro tiro. "Eu falei ‘e aí, D.?’ e ele respondeu ‘e aí?’. Eu virei e escutei um barulho. Quando vi, ele estava caído na escada, já com sangue."

V.K., de 1o anos, que cursou todo o ensino infantil com D., contou que ele sempre foi muito quieto. Ele também ouvira o boato sobre o disparo contra a professora. "O D. falou que ia matar e que estava com a arma. Mas ninguém acreditou. Ele era muito tranquilo", disse V.

V. é da turma da sala vizinha à de D. e ouviu o barulho dos tiros. "A professora estava escrevendo na lousa e caminhou até a porta dizendo ‘ai, tá doendo, tá doendo’. A nossa professora colocou a gente na sala, trancou a porta e colocou mesas na frente."

Histórico. Mais de 50 colegas de D. estiveram no enterro do menino, no Cemitério das Lágrimas, a 500 metros da escola. Pais e alunos relataram que este não foi o primeiro caso de violência no lugar, apesar de reconhecerem que trata-se de um colégio "disputado" e de bom ensino.

Em maio, alunos de 13 e 14 anos levaram bebidas alcoólicas para a sala. Em 2010, houve outros três casos: uma bomba caseira foi acendida em sala; um aluno de 9 anos foi ameaçado com um canivete por outro de 13; e um aluno de 14 teria levado para a escola um soco-inglês.

Investigação. Na segunda-feira, a polícia vai ouvir a diretora Marcia Gallo e outros funcionários. Se Rosileide tiver condições, também vai prestar depoimento. As crianças serão ouvidas na própria escola, acompanhadas de um psicólogo, provavelmente na próxima semana. A delegada Lucy Mastellini Fernandes afirma que ainda não vê motivos para indiciar o pai de D., dono da arma usada pelo garoto.

Lucy encontrou, na mochila de D., um desenho no qual o menino se retrata com 16 anos. Em um lado da folha, a imagem é dele na sala de aula com um professor. No lado oposto, aparece fora da escola, com duas faixas cruzando o peito. A delegada diz que não é possível afirmar o que as faixas representam.

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