Menino arrastado por enxurrada escapa ileso

Garoto de 9 anos reencontrou família após sumir durante fortes chuvas de quinta-feira em Nova Iguaçu (RJ); criança se segurou em galhos

FELIPE WERNECK / RIO , MARCELO GOMES / RIO, FELIPE WERNECK / RIO , MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2013 | 02h05

Um menino de 9 anos arrastado pela correnteza e considerado desaparecido desde a tarde de quinta-feira escapou ileso e reencontrou a família anteontem. Daniel de Souza contou que caiu em um córrego na região onde mora, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e foi levado pela água. Sem saber nadar, ele conseguiu se segurar em galhos na beira do rio e foi levado por 1,7 km.

"A sensação é maravilhosa, me sinto privilegiada pelo meu filho estar aqui", disse a mãe de Daniel, Ivete Silva de Souza, ao RJTV, da Rede Globo.

Daniel afirmou que chegou a atravessar uma galeria que passa embaixo da Via Dutra. "Pensei que eu ia morrer", disse o garoto. A mãe contou que, na altura do bairro de Rosa dos Ventos, o menino conseguiu se agarrar à escada de uma ponte e subiu. Lá, pegou um ônibus e foi até Santa Eugênia, que fica a 4,5 km de distância. No bairro, pretendia procurar a mãe no trabalho, mas por acaso encontrou um amigo.

Como não conseguiu falar com a mãe pelo celular, que estava sem sinal, e pelo telefone de casa, sempre ocupado, dormiu na casa do amigo. No dia seguinte, foi encontrou a família.

Na quinta-feira, a rua onde Daniel mora estava completamente alagada. Ele contou que foi empurrado no córrego quando atravessava uma ponte.

A Defesa Civil continua à procura do funcionário da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) Enéas Paes Leme, de 55 anos, desaparecido desde a madrugada de quinta em Xerém, distrito de Duque de Caxias. A mulher dele, Elizabeth Ferreira da Silva Paes Leme, foi ontem à delegacia local para registrar o desaparecimento do marido.

O número de desabrigados e desalojados pela chuva no Rio chegou a 2,6 mil. O temporal deixou um morto em Xerém.

Mais de três anos após a enchente que atingiu Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em novembro de 2009, o município ainda não viu a cor do dinheiro prometido na ocasião pelo governo federal para socorro às vítimas e infraestrutura. Na madrugada da quinta-feira, um temporal voltou a castigar a cidade, deixando um morto, mais de 200 desabrigados e mil desalojados.

Em 15 de dezembro de 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a Medida Provisória 473, que abriu crédito extraordinário de R$ 400 milhões para o Ministério da Integração Nacional ajudar municípios em estado de calamidade. A MP foi convertida em lei em maio de 2010. O programa "Apoio a obras preventivas de desastres" recebeu crédito extraordinário de R$ 100 milhões. A rubrica "Socorro e assistência às pessoas atingidas por desastres" ficou com R$ 60 milhões. Já a atividade "Restabelecimento da normalidade no cenário de desastres" ganhou mais R$ 240 milhões.

O procurador da República Renato Machado está cobrando explicações do ministério sobre o motivo do atraso na transferência da verba federal para Caxias. "A última justificativa do ministério foi de que o município não tinha infraestrutura. Ora, se a chuva destruiu a cidade, a verba era justamente para reconstruí-la", disse Machado, que não descarta ajuizar uma ação civil pública para obrigar a União a enviar o dinheiro ao município.

Em nota, o ministério informou que "em 2011 colocou à disposição do Estado R$ 150 milhões. Destes, R$ 70 milhões para pagamento de aluguel social para 7 mil famílias. Os R$ 80 milhões restantes aguardam licitação para 73 pontes".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.