Paulo Pinto/AE
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Menina orienta polícia por telefone e escapa de cativeiro

Desaparecida havia 15 dias, a garota achou um celular no cativeiro e discou 190

Camilla Haddad, Jornal da Tarde

02 Dezembro 2010 | 22h05

Quando recebeu a ligação de E.K, de 8 anos, a atendente do 190 da Polícia Militar pensou se tratar de mais um dos 3.500 trotes infantis aplicados diariamente no serviço de emergência. Essa dúvida quase fez o sequestro de E. ter um desfecho trágico. Na 15ª noite de cativeiro, a criança achou um celular e ligou para a PM, à 1h30, avisando que era mantida em cárcere privado pela própria prima de 14 anos. Após quatro minutos de diálogo a menina convenceu a policial que seu drama não era nenhuma "brincadeira".

 

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som Áudio do diálogo entre a menina sequestrada e o 190

 

O relato, até então aparentemente fantasioso, ganhou vida e os apelos da menina foram atendidos. Era madrugada de domingo, equipes de PMs foram ao local indicado por ela e devolveram a menina aos braços da mãe, no Parque São Lucas, na zona leste. A adolescente de 14 anos foi mandada para a Fundação Casa. Só que o drama da família não acabou. Um segundo acusado do crime, Manoel Lopes de Araújo Filho, de 43 anos, está solto. Ele consta como foragido do Centro de Progressão Peninteciária de Tremembé, no interior, desde março deste ano.

 

Segundo o tenente Cleodato Moisés, porta voz do Comando de Policiamento da Capital (CPC), das 35 mil ligações recebidas todos os dias no serviço de emergência da corporação, 5 mil são para noticiar falsas ocorrências. Desse total, 3.500 são chamadas de crianças para fazer brincadeiras e até ofender os policiais. Os horários sãos diversos, mas o mais comuns são os de intervalo ou saída da escola. Nos casos recorrentes os atendentes retornam a ligação e informam os responsáveis ou enviam uma viatura ao local.

 

Há um ano e meio no 190, a soldado Eleni Gonçalves Louzada Diz conta que a voz "chorosa" da menina também a ajudou a ter convicção da existência de uma vítima do outro lado da linha. "Eu achei mesmo que era um trote. Era 1h30 da madrugada, voz de criança", conta. "São muitas ligações iguais a dela. Inclusive de garotas dizendo estarem sequestradas. Mas aí pedi ajuda do meu supervisor e tudo terminou bem."

 

De roupa cor de rosa e com o urso de pelúcia nos braços, ontem foi dia de E. abraçar os policiais que a ajudaram e de dar "bronca" nos meninos e meninas dispostos a mentir no telefone de emergências. Ao longo do dia, a garotinha, acompanhada da mãe, uma auxiliar de limpeza, de 36 anos, atendeu ligações de crianças no serviço 190 e ouviu xingamentos ao tentar contar sua história. Para a mãe, a principal hipótese era de que a filha fosse entregue a uma rede de pedofilia ou prostituição infantil. "Ou iam pedir resgate. Fiquei sabendo."

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