Menina de 6 anos teria sido estuprada antes de ser morta em Mongaguá

Exames preliminares apresentados pelo Instituto Médico Legal (IML) de Praia Grande apontaram lesões próximas da região genital da garota

José Maria Tomazela , O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2019 | 15h24

SOROCABA - A menina Kauani Cristhiny Soares Rodrigues, de 6 anos, encontrada morta numa vala, na segunda-feira, 22, cinco dias após sumir do berço, em Mongaguá, litoral sul de São Paulo, foi provavelmente estuprada antes de ser assassinada, segundo a Polícia Civil. Exames preliminares apresentados pelo Instituto Médico Legal (IML) de Praia Grande apontaram indícios de violência sexual.

O laudo apontou lesões próximas da região genital da garotinha, mas o estado do corpo em decomposição não permitiu a confirmação do estupro. O delegado do 2.o Distrito Policial, Francisco Wenceslau, que está à frente do caso, pediu exames específicos que devem ser entregues em 30 dias. Ele acredita que houve a violência sexual.

 

A criança foi levada do quarto em que dormia no noite do dia 17, quando os familiares estavam reunidos em uma festa. A família mora no prédio de um antigo bar, que foi alvo de ocupação. A mãe, Diana Soares de Lira, de 34 anos, notou o desaparecimento ao levar o outro filho para a cama. 

O suspeito, o guardador de carros Rodrigo de Paula Sales, de 28 anos, chegou a ser detido, mas foi liberado por falta de provas. Imagens de câmeras mostraram que, naquela noite, ele caminhava pela rua levando a criança no colo. Sales voltou a ser preso e confessou ter raptado Kauani, apertado seu pescoço e jogado o corpo em uma vala, mas negou o estupro. 

De acordo com o delegado, embora o acusado negue a violência sexual, outros elementos indicam que a menina foi raptada para esse fim criminoso. Sales já conhecia a criança, pois era morador de rua e recebia ajuda da família com a doação de alimentos. Ele alegou ter decidido raptar Kauani por vingança, porque a mãe dela lhe teria negado comida e drogas, mas familiares e testemunhas negam esse fato. 

O acusado também foi apontado como autor de dois crimes de estupro anteriores, o que ainda é investigado. O que mais reforça a hipótese de crime sexual, segundo o policial, é o fato da criança ter sido encontrada seminua, com as roupas de baixo arriadas. 

Conforme Wenceslau, embora o laudo preliminar não indique a causa da morte, não há dúvida de que houve homicídio qualificado, pois Sales confessou ter raptado, esganado a vítima e jogado o corpo na vala cheia de água. O crime será tratado como hediondo, devido à asfixia produzida pela esganadura ou pelo afogamento, que são meios cruéis. Segundo o delegado, se os laudos complementares confirmarem o estupro, o homem responderá também por esse crime.

BUSCAS - Uma tia de Kauani, Sheila Aparecida Lira Soares, contou que Sales frequentou a casa da família mesmo após o desaparecimento da criança. Ele teria se colocado à disposição para ajudar nas buscas. A família chegou a divulgar cartazes pedindo ajuda à população. Sheila disse que desconfiou do morador de rua e o procurou depois que a criança sumiu. O homem estava dormindo e negou ter visto ou feito algo com a menina. 

Conforme depoimento da tia, ela tinha avistado Sales próximo do portão da casa antes de Kauani desaparecer. Câmeras de monitoramento gravaram o momento em que Sheila aborda de forma insistente e agressiva o suspeito, o que confirma a versão da mulher. Sales está preso preventivamente na Cadeia Pública de Peruíbe. O defensor público indicado para sua defesa informou que só se manifestará no inquérito.

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