Google Streetview / Reprodução
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Menina de 11 anos inventou que foi estuprada por 14 homens, diz polícia

Laudo do exame feito na menina pelo IML constatou ausência de lesões compatíveis com uma agressão de tamanha intensidade; procedimento verificou, inclusive, que a menina sequer manteve relação sexual recentemente

Jéssica Otoboni, Renata Okumura e Luiz Alexandre Souza Ventura, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2018 | 12h33
Atualizado 23 Abril 2018 | 23h31

A menina de 11 anos que afirmou ter sido violentada por ao menos 14 indivíduos durante um baile funk em Praia Grande, no litoral sul de SP, inventou a história. A informação foi confirmada na noite desta segunda-feira, 23, pelo delegado titular de Praia Grande, Carlos Henrique Fogolin de Souza. De acordo com o delegado, o laudo do exame feito na menina pelo Instituto Médico-Legal (IML) constatou ausência de lesões compatíveis com uma agressão de tamanha intensidade. O procedimento verificou, inclusive, que a menina sequer manteve relação sexual recentemente.

Outra informação que derrubou a denúncia de estupro foi que nenhum baile funk foi organizado na quarta-feira, 18, na cidade, com ou sem autorização da Prefeitura. Agora, a mulher chamada de 'tia por consideração' pela menina se tornou alvo de investigações porque mentiu em depoimento oficial à polícia. Essa mulher relatou que a garota havia sofrido o abuso sexual dentro do baile funk, mas não lembrava de quase nada porque havia ingerido muita bebida alcoólica (cachaça), e não poderia voltar para casa porque fora expulsa pela mãe. Um boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado na Delegacia Sede da cidade no domingo, 22, e as investigações eram conduzidas pela Delegacia da Mulher, com acompanhamento da Promotoria da Infância e Juventude.

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A criança foi retirada da guarda da mãe e ficou sob responsabilidade do Serviço de Acolhimento de Crianças e Adolescentes do município porque os promotores queriam avaliar o grau de vulnerabilidade dela. A mãe da menina afirmou que jamais expulsou a filha de casa. Ela está aposentada por invalidez, tem vários problemas de saúde, é submetida a constantes sessões de hemodiálise e, quando sua filha foi violentada, estava internada em um hospital da cidade. Dois irmãos da vítima, filhos da mesma mãe, vivem em outra residência.

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A mulher que abrigou a menina disse ainda que uma amiga da garota, outra menina que tem 12 anos e também estava no baile funk, informou que a sequência de estupros foi filmada com smartphones e os vídeos já poderiam estar circulando por aplicativos de mensagens e redes sociais. Os policiais fizeram diligências para tentar identificar os autores do crime e dos vídeos, e também para recuperar imagens de câmeras de vigilância na região.

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No domingo, segundo a Prefeitura de Praia Grande, a menina recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Quietude, onde os médicos constataram hemorragia e confirmaram que a paciente havia tido relações sexuais recentes, mas a Polícia Civil afirma que a garota estava menstruada, condição confirmada pelo IML. 

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