Melhoria do sistema passa pelo bilhete único

Governo aposta na unificação da tarifa na Região Metropolitana e expansão da oferta de transporte coletivo

Eduardo Reina, de O Estado de S.Paulo,

02 Abril 2009 | 23h51

SÃO PAULO - O governo do Estado aposta na expansão da oferta de transporte coletivo na Região Metropolitana, atrelada à implementação do bilhete único, para melhorar a qualidade do serviço. No dia 22, será realizada uma audiência pública no Instituto de Engenharia para discutir a unificação da arrecadação de tarifas de transportes coletivos na capital. A medida será a primeira fase para a adoção do bilhete único metropolitano.

 

Veja também:

linkCongestionamento migra para estradas

linkAlunos são cada vez mais sinônimo de passageiros

linkAyrton Senna perde usuários para Dutra

 

Uma autoridade metropolitana de transportes foi criada para administrar o passe metropolitano, que agirá nos mesmos moldes dos programas adotados em Paris, Madri e Seul. A previsão da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos é que a primeira etapa do projeto seja implementada em outubro, três meses antes do início da operação das primeiras estações da Linha 4-Amarela do Metrô: Butantã, Faria Lima e Paulista.

 

O comando do Sistema Único de Arrecadação e a gestão do novo bilhete ficarão a cargo de uma empresa privada, segundo o modelo aprovado pelo Conselho Gestor do Programa de Parcerias Público-Privadas. A proposta é de concessão de 30 anos e investimento de R$ 508,6 milhões. A cada oito anos, a empresa terá de renovar equipamentos e recursos tecnológicos. Em contrapartida, a concessionária receberá, nos três primeiros anos, R$ 17 milhões anuais pelo direito de exploração comercial do serviço, além de um valor fixo até o fim do contrato, por usuário que validar o cartão em ônibus, metrô ou estação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

 

Já o plano de expansão, com orçamento de R$ 20 bilhões, prevê a redução de poluição na atmosfera, diminuição no consumo de combustível, decréscimo de custos operacionais e de manutenção para veículos e sistema viário, além de menos engarrafamentos. Segundo a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, o beneficio mais significativo será a diminuição do tempo de viagens. O objetivo é melhorar o deslocamento das pessoas entre suas residências, empregos, escola e locais para diversão e cultura.

 

Projeções apontam que o usuário de metrô que percorre, ida e volta, o trecho entre o Capão Redondo, na zona sul, e a Praça da Sé, no centro, ganhará 54 minutos diariamente. Hoje, ele gasta 198 minutos. No trajeto entre Vila Prudente, na zona leste, e Pinheiros, na zona oeste, baixará para 114 minutos, num percurso feito em 166 minutos, segundo a pesquisa “Origem e Destino”. Já nas linhas da CPTM haverá diminuição do intervalo entre os trens, que variam de 20% a 50%.

 

TRILHOS

 

Toda essa economia de tempo, segundo o governo estadual, será baseada no plano que prevê a expansão do sistema de transporte sobre trilhos, que passará a ter qualidade de metrô até 2010. A rede passaria dos atuais 61,3 quilômetros de extensão para 80,5 quilômetros com as novas linhas que entrarão em operação: Linha 4-Amarela e ampliação da Linha 3-Verde, além de 160 quilômetros de linha da CPTM, que terão novo padrão de operação.

 

O programa eleva para 240 quilômetros de transporte público com qualidade sobre trilhos, segundo a secretaria. Também haverá implementação de corredores de ônibus metropolitanos, reforma da frota de trens já existente e compra de novas composições - 60 novos trens para a CPTM e 47 para o Metrô. “Na pesquisa de 2017, a expectativa é que o uso do transporte coletivo continue a crescer, e que caia o individual”, prevê o secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.