Megatraficante Abadía é condenado a 30 anos de prisão

Ele foi culpado por formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos

da Redação,

01 de abril de 2008 | 17h17

A Justiça Federal em São Paulo condenou na tarde desta terça-feira, 1º, o megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía a 30 anos de prisão.  Abadía foi considerado culpado por quatro crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos. A extradição do traficante está nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que terá de analisar a autorização já dada pelo STF.   Leia mais sobre o traficante Abadía   Além do traficante, a mulher dele, Jéssica, e outras oito pessoas foram condenadas à prisão. Na sentença, o juiz federal se manifestou contrário à extradição do traficante para os EUA. O juiz afirmou que Abadía deve pagar pelos crimes no Brasil. No dia 13 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou por unanimidade a extradição do megatraficante.  Abadía é acusado nos EUA de conspiração para lavagem de dinheiro, para o tráfico internacional de cocaína e de homicídio. O STF impôs apenas uma condição ao governo americano: uma possível condenação por prisão perpétua ou pena de morte deve ser convertida em simples prisão com prazo máximo de 30 anos, maior punição prevista na lei brasileira. Se a condição, estabelecida pela Constituição, não for aceita, Abadía não será extraditado. Com a autorização dada pelo STF, Lula pode assinar a extradição ou decidir que Abadía deve permanecer preso e responder pelos crimes que teria cometido no Brasil - lavagem de dinheiro, corrupção ativa, formação de quadrilha e utilização de documento falso. Abadía é considerado um dos maiores traficantes de droga do mundo, com patrimônio pessoal estimado em US$ 1,8 bilhão (R$ 3,4 bilhões). Ele foi preso em 6 de agosto de 2007, pela Polícia Federal, em sua casa de luxo em um condomínio de Aldeia da Serra (SP). O traficante é um dos chefes do Cartel do Norte do Vale, na Colômbia, o maior fornecedor de cocaína e heroína para os Estados Unidos - Abadía é acusado de enviar mil toneladas de cocaína para o país de 1990 a 2004. Ele é apontado como mandante da morte de 300 pessoas na Colômbia e 15 nos Estados Unidos. No fim do ano passado, Abadía tentou fechar um acordo com a Justiça brasileira para ser extraditado. Chegou a oferecer de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões às autoridades brasileiras e se comprometer a colaborar com as investigações, desde que fosse depois extraditado. A proposta foi recusada pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal. À época, o juiz divulgou um comunicado em que afirmou que a Justiça não desejava dinheiro e que o traficante estaria "violando a soberania do Brasil".

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