Medo toma conta de policiais de base atacada

Bandidos dispararam 15 vezes contra posto policial em Itaquera, na zona leste; parte de uma das balas foi parar dentro de berço de casa vizinha

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h02

Policiais militares da 4.ª Companhia do 39.º Batalhão foram contaminados ontem por um clima de medo e apreensão. A tensão surgiu após o ataque à base da PM na Rua Joapitanga, em Itaquera, zona leste de São Paulo.

Por volta da 1h20, quatro bandidos em um Polo prata roubado pouco antes na Rua Carolina Fonseca, também em Itaquera, passaram pela base e atiraram pelo menos 15 vezes com duas pistolas - uma 380 e outra .40, do mesmo tipo usado pela PM.

Os tiros atingiram a parede, o portão, viaturas, carros estacionados na rua e até uma casa vizinha. Dois policiais estavam na base. Nenhum deles foi atingido.

Na tarde de ontem, policiais da companhia já adotavam medidas de segurança para evitar serem surpreendidos novamente. Cavaletes foram colocados na frente da sede. Cones também foram postos na via para evitar a passagem de mais de um veículo por vez, além de forçar a redução da velocidade. Até mesmo uma pequena carreta para o transporte de motocicletas foi atravessada em uma calçada para evitar que desconhecidos se aproximassem.

Policiais ouvidos pelo Estado afirmaram que pretendiam mudar o caminho até o serviço e evitariam se deslocar de moto, enquanto houvesse algum tipo de ameaça. Um deles afirmou que tem medo de ser atacado, mas não chegou a comentar o assunto com familiares, para não aumentar o clima de tensão.

Uma das balas disparadas pelos bandidos contra a base entrou pela janela de uma casa vizinha, bateu em uma parede sobre o guarda-roupa e se estilhaçou. Uma parte caiu na cama da operadora de caixa Maria Elizamar Oliveira, de 23 anos; a outra, no berço do filho dela, um recém-nascido de apenas 11 dias.

Maria Elizamar e seu bebê não estavam em casa. "Graças a Deus, eu estava na casa da minha mãe, porque meu marido trabalha até mais tarde e eu não estava me sentindo bem. Quando cheguei, logo depois dos tiros, é que vi o que tinha acontecido."

Além da janela, o muro da casa onde vive Maria Elizamar estava cravejado com as marcas dos tiros dos criminosos. "Se estivesse em casa, eu poderia ter me machucado, ou talvez a bala tivesse acertado o meu filho." Ela disse também que não se sente mais segura por morar ao lado de uma base da Polícia Militar e o ataque da madrugada de sexta-feira pode fazer com que mude sua rotina de forma drástica. "Fiquei tão traumatizada que não voltei mais para casa. Vou ficar uns dias com minha mãe e talvez até mude de lá." /WILLIAM CARDOSO

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