Medo já faz morador mudar de hábitos

Os dois arrastões desta semana já provocam mudanças na rotina de alguns moradores de Higienópolis, que vivem agora o medo de também serem atingidos pela onda de criminalidade. "Estou apavorada. Meu filho, que sempre vai sozinho para a escola, hoje (ontem) à tarde já foi acompanhado", afirmou a psicóloga Márcia Lazzarotto, de 48 anos.

O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h03

Colega de Márcia, a também psicóloga Denise Montroni, de 47 anos, teme que o bairro perca parte de sua identidade com a violência. "É preocupante. Aqui é um bairro em que costumamos fazer tudo a pé, não podemos perder isso", disse.

O cozinheiro Erivan Camilo, de 36 anos, afirmou que nunca foi vítima de arrastão, mas que se preocupa todos os dias com essa possibilidade. "Graças a Deus, nunca aconteceu. Mas, se acontecer, não vou reagir. Acho que a segurança é muito fraca; falta polícia nas ruas", disse.

A preocupação com os arrastões mudou também a forma de atuação dos seguranças. É o caso de Arnaldo Caetano Júnior, de 31 anos. "Com os arrastões, sempre converso com o pessoal que trabalha nos condomínios da frente, trocando informação sobre quem passa na rua. A partir das 22h, também não posso mais ficar parado no mesmo lugar, circulo bastante, para não ser um alvo fácil."

Entre os manobristas, geralmente os primeiros a serem feitos reféns pelos ladrões, também há o medo de serem as próximas vítimas. "Não dá para diferenciar o bandido do cliente, porque eles chegam em bons carros e bem vestidos. Temos de atender a todos muito bem, por isso é perigoso", diz Augusto Francisco dos Santos, de 32 anos.

O publicitário Sidney Haddad, de 52 anos, vê os arrastões em Higienópolis como parte de tudo o que acontece na cidade. Ele disse que também sai à noite com frequência. "Como vai controlar tudo isso? O que você pode fazer", questionou.

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