Medo faz procura por rodoviárias crescer 7%

Busca pelas viagens de média duração, como para Rio e Curitiba, foi a que mais cresceu; 124 mil pessoas são esperadas hoje no Terminal do Tietê

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2010 | 00h00

Com medo da greve nos aeroportos, muitos paulistanos apelaram para a rodoviária. A Socicam, empresa que administra os três terminais rodoviários da capital, calcula que o movimento neste Natal será 7% superior ao do ano passado. Só no Tietê, são esperados hoje 124 mil passageiros. Entre eles, gente que normalmente prefere o avião.

É o caso da atriz e dramaturga Priscila Gontijo, de 33 anos, que costuma ir de avião visitar familiares no Rio, inclusive em épocas de maior movimento, como vésperas de feriado. "Neste ano não quis arriscar. O que está sendo divulgado aponta problemas", diz.

Além do risco de atrasos, outro motivo que a fez optar pelo ônibus foi a tranquilidade dos terminais rodoviários. Mesmo sem comprar passagem com antecedência, Priscila conseguiu embarcar após 30 minutos de espera. "Dependendo do atraso nos aeroportos, pode ser que a viagem de ônibus seja até mais rápida. E posso ir lendo, o tempo passa mais depressa."

O setor de transporte terrestre calcula que viagens de média duração, como para Curitiba e Rio, são as que têm tido maior procura nos últimos dias. A Viação Itapemirim, por exemplo. registrou 15 mil passageiros a mais saindo do Tietê em dezembro, em relação ao mesmo período de 2009. O Rio foi o destino mais procurado e por isso já recebeu 50 horários-extras.

"Com certeza esse aumento é decorrência dos problemas nos aeroportos. Prova é que a procura aumentou nos nossos serviços Leito e Golden, que é para quem quer viajar com mais conforto", diz o diretor comercial, José Valmir Casagrande.

O geógrafo Ian Seixas, de 29, optou pelo ônibus para ir ao Rio ontem, após cansar de esperar nos aeroportos. Ele tentou embarcar para casa na primeira vez, em Manaus, na segunda. As fortes chuvas na capital amazonense provocaram o fechamento do aeroporto e seu voo foi adiado para a manhã seguinte. Depois, foi cancelado - segundo a TAM, por um raio ter danificado o sistema de balizamento das pistas. O geógrafo chegou na manhã de ontem a Cumbica após três horas de espera em Manaus. Mas não conseguiu passagem para embarcar logo para o Rio e optou pelo ônibus. "Foi tanto problema que agora só quero chegar."

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