Medo de ficar como a mãe levou jovem a recusar tratamento

Há 5 anos, pai sugeriu que Nunes procurasse psiquiatra; saúde mental de Valéria teria piorado após eletrochoques

Fábio Mazzitelli, O Estadao de S.Paulo

17 Março 2010 | 00h00

Preso na sede da Polícia Federal em Foz de Iguaçu (PR) sob acusação de matar o cartunista Glauco, o filho dele Raoni e outros seis crimes, todos cometidos em um intervalo de menos de 72 horas, o estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, de 24 anos, recusava-se a iniciar tratamento psiquiátrico por medo do que ocorreu com a mãe, portadora de doença mental tratada a eletrochoques.

Segundo a família, o pai de Cadu, o comerciante Carlos Grecchi Nunes, viu distúrbios comportamentais no filho que o levaram a sugerir, há cerca de cinco anos, que Cadu procurasse um especialista. Como resposta, o rapaz costumava repetir ao pai: "Não quero ficar igual à minha mãe".

A professora Valéria Sundfeld Nunes, mãe de Cadu, desenvolveu doença mental quando o estudante ainda era criança. Na visão da família, um tratamento a base de eletrochoques teria piorado o quadro clínico dela, tornado mais frequentes os surtos e assim precipitado o fim do casamento. "A mãe dele se submeteu ao tratamento errado. Tinha esquizofrenia, foi tratada com eletrochoques e só piorou", diz um familiar de Cadu, que pediu anonimato.

Nessa época, Carlos Eduardo tinha 12 anos. Desde então, o estudante e o caçula, Carlos Augusto, de 22, passaram a morar com o pai e os avós paternos numa casa na Vila Beatriz, zona oeste da capital. A mãe mora com os avós maternos de Cadu na Pompeia, zona oeste.

Inconstância. Na adolescência, a troca de colégios foi constante, mas Cadu sempre estudou em escolas particulares de classe média da capital ? a última delas foi a Ofélia Fonseca, em Higienópolis, há oito anos. O ensino médio foi concluído em Goiânia (GO), para onde o pai se mudou. Lá, iniciou o curso de Direito, mas parou porque achou "muito puxado". De volta a São Paulo, o estudante voltou à casa dos avós e se matriculou em, pelo menos, mais duas faculdades, de Artes Visuais e Gastronomia, cursos que também não levou adiante. Nunca teve emprego fixo ou relacionamento afetivo duradouro.

Cadu não escondia da família que fumava maconha. Era introspectivo, pouco conversava e não era violento. Um dos hábitos que cultivava era dar comida a moradores de rua.

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