Medo da chuva faz passageiro fugir de Congonhas à tarde

Só em fevereiro, as tempestades vespertinas fecharam o 3º maior aeroporto do País em nove dias diferentes - o último foi terça-feira

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

03 Março 2013 | 02h00

Puxando uma mala de rodinhas, o bancário Álvaro Barrote, de 39 anos, andava impaciente pelo saguão quadriculado do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, às 15h de terça-feira. Tentava antecipar um voo para Belo Horizonte, onde teria uma reunião. Não que o compromisso tivesse mudado de horário. Ele é que não queria correr o risco de ficar ilhado no terminal por mais um temporal, daqueles típicos que atingem a capital no fim da tarde.

"Não aguento mais ficar refém disso. Já tive dois voos seguidos cancelados por causa de chuva nesses dias", disse. No mesmo dia, caiu um temporal que fechou o aeroporto duas vezes, às 18h41 e às 19h20, bem no horário que Álvaro viajaria. Por sorte, conseguiu vaga no voo "pré-chuva", às 16h.

Assim como Álvaro, muitos passageiros de Congonhas estão fugindo dos horários em que voar por Congonhas pode virar uma dor de cabeça. Alguns preferem comprar logo o voo por outro aeroporto.

"Depois de ter meu voo alternado para Cumbica, aprendi que voar por Congonhas nesta época de chuva é roubada. Você acaba indo parar em outro lugar", conta a administradora de empresas Lúcia Machado, de 42 anos. Quando um voo não consegue pousar em Congonhas, cabe ao piloto da companhia aérea escolher outro aeroporto onde há visibilidade - geralmente, vai para o de Cumbica, em Guarulhos, ou o de Viracopos, em Campinas.

Sem operação. O verão chuvoso deste começo de ano teve reflexos negativos nas operações de Congonhas. Só em fevereiro, tempestades fecharam o aeroporto em nove dias diferentes, do 1.º ao 26. Em algumas datas, como na última terça-feira, as interrupções acontecem mais de uma vez. No total, o aeroporto ficou fechado por 357 minutos, quase seis horas, segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

Para o especialista em tráfego aéreo e consultor do Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP), Carlos Heredia, o Aeroporto de Congonhas não está mais suscetível a chuvas do que os outros aeroportos - o problema é o volume de chuvas na região.

Heredia explica que quando a visibilidade fica abaixo dos mil metros - mínimo estabelecido para aquele aeródromo - a única opção é fechar a pista. "É questão de segurança. Quando o piloto não tem visibilidade, também não tem tempo de tomar decisões necessárias na hora do pouso ou da decolagem", diz.

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