Medida pode evitar o colapso, mas exige regras cuidadosas

Aproveitar a água dos outros sistemas integrados é uma medida paliativa e emergencial mais adequada do que usar a água do volume morto do reservatório - porque ajuda a evitar o colapso total do Sistema Cantareira, cujo reabastecimento seria muito mais difícil com o manancial seco - e melhor do que aplicar o racionamento de água, que penalizaria toda a população.

ANÁLISE: Malu Ribeiro, especialista em recursos hídricos da SOS Mata Atlântica, O Estado de S.Paulo

07 Março 2014 | 02h02

Desde que o nível começou a ficar mais crítico, alertamos que o ideal seria um manejo mais adequado das fontes de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. Estudos contratados há oito anos já mostravam que a região tem de reduzir sua dependência do Cantareira, independentemente do clima. E uma das sugestões era usar maiores volumes de outros reservatórios.

Precisamos, contudo, prestar atenção especial na situação do entorno desses outros reservatórios, principalmente da Guarapiranga e do Alto Tietê, que estão sofrendo uma ocupação irregular muito intensa em área de manancial. Se isso não for feito, não vai ter jeito e uma hora vai faltar água. É uma responsabilidade maior do município que detém o manancial.

Além disso é preciso saber até quando vai ser feito o remanejamento de água dos outros sistemas. Se for feito de forma permanente vai comprometer a disponibilidade hídrica na região que não sofreu com a estiagem. Se for feito em um esquema de rodízio, que é o mais indicado, vai suplementar outras regiões até que volte ao normal. É preciso ter regras, como bancos de reserva, de modo que uma região que tenha oferta possa socorrer outra e ter a água de volta.

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