Medida permite que uso seja o menos prejudicial possível

As salas de uso seguro são destinadas a pessoas que não conseguiram deixar de usar drogas e estão usando em situações de alto risco. Isso já foi experimentado de várias formas no mundo e, na maioria dos casos, foi bem-sucedido. O monitoramento nesses espaços diminui muito os danos relacionados ao consumo. O paciente não vai usar uma seringa contaminada com HIV, não vai usar uma dose exagerada, não vai se contaminar com hepatite, por exemplo. Tenho vários pacientes que já pegaram DSTs, como aids, mesmo não injetando drogas, mas pelo uso "promíscuo" ou desfavorável nas ruas. Com as salas, você está cuidando da saúde dessas pessoas. Se alguém tiver uma arritmia cardíaca, por exemplo, vai ter assistência médica. Tudo isso vai minimizar danos decorrentes desse uso. Isso não seria possível em um beco escuro.

ANÁLISE: Dartiu Xavier da Silveira, professor do departamento de medicina da Unifesp, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2014 | 02h06

Outro ganho secundário é o fato de ter um profissional de saúde por perto, para falar sobre seu problema relacionado ao consumo de drogas. Dessa forma, muitas pessoas começam a se motivar para um tratamento. As pessoas leigas tendem a achar que é uma apologia ou autorização ao uso de drogas. Ao contrário, ninguém está querendo isso. É uma medida de saúde pública.

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