Medida deve estimular a polícia, mas não enfrenta a raiz do problema

Governador Geraldo Alckmin enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que estabelece sistema de metas e bonificações trimestrais para policiais civis e militares do Estado

Bruno Paes Manso, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2013 | 21h46

Os prêmios a serem pagos aos policiais que cumprirem suas metas buscam estimular o aprimoramento da gestão policial nos territórios e o empenho na prevenção e combate ao crime. Novos remédios são sempre uma esperança para enfrentar as efermidades. Só que, como todo médico sabe, de nada adianta usar medicações que interrompem os sintomas quando as causas das doenças não são enfrentadas. É como receitar uma aspirina a um doente em estado grave.

No caso do sistema de segurança pública, há todo um modelo que a cada ano tem mostrado sua ineficiência e a necessidade de reformas profundas. A reestruturação das polícias é apontada por especialistas como a transformação mais urgente. Aponta-se desde a necessidade de se criar corporações que cumpram o ciclo completo do trabalho - atuando na prevenção, patrulhamento e investigação. Também se discute o modelo de gestão militar, considerado rígido demais para tarefas voltadas à garantia de direitos. Sem falar nas superlotações de presídios, ineficência da Justiça, etc.

Além disso, como todo o remédio, os riscos dos efeitos colaterais devem ser observados. E se os prêmios estimularem fraudes nos registros policiais? E se estimularem as execuções, dado a cultura de mais de três décadas de violência. É mais uma novidade, que tem o mérito de arriscar, mas que deve ser vista com ceticismo por não enfrentar as principais raízes do problema.

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