Médicos podem ser indiciados por morte na frente de hospital

Fotógrafo passou mal dentro de ônibus e, na porta de Instituto de Cardiologia, foi atendido por equipe do Samu

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2014 | 21h08

RIO - Médicos do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), no Rio, podem ser indiciados por homicídio doloso, quando há a intenção, pela morte do fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, de 63 anos, ocorrida na segunda-feira, 2. A informação é do delegado Roberto Nunes, da 9.ª Delegacia de Polícia do Rio.

Marigo tinha ido correr pela orla e voltava de ônibus para casa, em Laranjeiras, na zona sul. Quando ele começou a passar mal, o motorista do coletivo decidiu mudar o itinerário e levá-lo ao hospital mais próximo, o INC, no mesmo bairro. Para agilizar o atendimento e não interromper o trânsito, o motorista parou o ônibus sobre a calçada.

Passageiros alertaram funcionários do INC sobre o caso, que recomendaram chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Nenhum médico socorreu o fotógrafo.

Uma ambulância chegou ao INC e um médico que estava no veículo tentou socorrer o fotógrafo, que sofria um infarto. Em seguida uma equipe do Samu chegou e assumiu o atendimento. Marigo morreu no ônibus.

A Polícia Civil e o Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) investigam a responsabilidade dos médicos do INC no episódio. O fotógrafo, que era especializado em imagens da natureza, foi enterrado anteontem no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Gravidade. Em nota, o INC afirmou que, “por não ter sido dimensionada a gravidade do caso, o segurança orientou chamar o serviço de emergência móvel”. O INC não tem unidade de emergência. “Assim que tomou conhecimento, uma equipe médica do INC seguiu para o ônibus para prestar o atendimento.” 

A família de Marigo está acompanhando as investigações para decidir qual providência tomar. “Só vamos tomar qualquer medida depois de conhecer as conclusões das investigações da polícia e do Cremerj”, afirmou ontem a viúva Cecília Marigo.

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