Médicos formados ajudam a financiar festa na Medicina da USP

Informação foi dada em depoimento ao Ministério Público de membro do Show Medicina, evento que tem denúncia de discriminação

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2014 | 21h14

SÃO PAULO - Ex-alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), hoje profissionais formados, ajudam a financiar o chamado Show Medicina, evento estudantil envolvido em denúncias de discriminação e violência na unidade.

De acordo com depoimento do presidente do Show Medicina, Erikson Hoff, ao Ministério Público Estadual (MPE), na tarde desta quarta-feira, 3, o custo da organização da festa é de cerca de R$ 80 mil por ano. A verba vem de contribuições de integrantes e ex-integrantes da organização.

O estudante negou que haja violações de direitos humanos durante o evento, mas confirmou a ocorrência de um caso de um aluno que teve de ser hospitalizado após participar da festa. Não foram divulgados detalhes do episódio.

O depoimento foi colhido como parte do inquérito da Promotoria de Direitos Humanos que investiga pelo menos oito casos de estupro contra alunas em festas da FMUSP. Entre os casos já conhecidos, não há registros de abusos durante o Show Medicina.

No depoimento, Hoff informou ainda como se dá a divisão de tarefas na preparação da festa. As mulheres são proibidas de participar das apresentações de teatro e balé. Tem suas atividades limitadas à costura das fantasias e de roupas usadas durante o evento.

Após ser questionada pelas próprias alunas neste ano sobre a proibição da participação de mulheres em outras atividades, a direção do Show disse que as normas serão rediscutidas.

O presidente do Show Medicina disse ainda que a apresentação da música Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, no evento deste ano, não teve como intuito ofender o coletivo feminista Geni, que atua contra a violência na faculdade. Eles explicaram que a canção fez parte da apresentação porque o tema do ano era a Ópera do Malando, de autoria de Buarque, da qual a música faz parte.

O representante da festa negou que garotas de programa sejam contratadas para participar da festa, que ocorre no teatro da faculdade. Disse que houve apenas um episódio em que foi realizada uma festa do tipo em um motel, mas com participação livre dos alunos, sem organização do Show Medicina.

Termo. Hoff se colocou à disposição do MPE para firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para a implementação de mudanças nos eventos.

As denúncias de estupros ocorridos na FMUSP vieram a público no mês passado, em uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A Casa deverá iniciar nesta semana os trabalhos de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os casos.

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