JOSÉ MARIA MAYRINK/ESTADÃO
JOSÉ MARIA MAYRINK/ESTADÃO

Médicos e dentistas atendem a pacientes de graça

Mutirão aconteceu em igreja da zona leste de São Paulo

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2015 | 22h03

SÃO PAULO - Mais de 600 pessoas de Cangaíba e de bairros vizinhos na zona leste da Capital fizeram filas na Igreja Bom Jesus para consultas e exames com médicos e dentistas voluntários, que atenderam os pacientes de graça, das 9 horas da manhã até o fim da tarde deste sábado (12), num mutirão em parceria com a Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), Universidade Mackenzie, Associação Paulista de Medicina, Lions, e Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas.

A coordenadora do Mutirão de Saúde no Cangaíba, a médica dermatologista Leontina Margarido, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), organizou a ação com o apoio do vereador e também médico Gilberto Natalini  (PV), para comemorar os 40 anos da Associação Popular de Saúde, que ele fundou na Paróquia Bom Jesus. “Esperávamos umas 200 pessoas, mas o número triplicou”, disse Natalini pouco antes do meio-dia, enquanto ainda havia filas para inscrição. Independentemente do horário marcado para o fim das consultas, todos seriam atendidos.

Logo na primeira hora, a dra. Leontina Margarido e sua equipe de dermatologistas – o professor Wagner Galvão e as médicas residentes Isabela Buzoli, Brunna Oliveira Borges, Natacha Segre e Maria Fernanda Spada, da Escola Paulista de Medicina (da Unifesp)  - diagnosticaram dois casos de hanseníase (lepra, como se chamava antigamente). Os pacientes, tia e sobrinho, não sabiam que eram portadores da moléstia e foram encaminhados para tratamento.

“A Moléstia de Hansen não é doença só de pobre, como se costuma afirmar, por ignorância e preconceito, pois sempre atingiu nobres e plebeus”, observou a dra. Leontina. O Brasil tem alta incidência de hanseníase, mas muitas vezes ela não é diagnosticada, porque os médicos não estão preparados para isso, informou a dermatologista. “Temos mais de 65% de contagiados em nosso País e só não vivemos uma epidemia, porque 90% das pessoas são resistentes e conseguem brigar com o bacilo”. A dra.Leontina propõe que os Ministérios da Educação e da Saúde instituam, em conjunto, um programa de ensino médico sobre a hanseníase.

As áreas de medida de pressão arterial e de coleta de sangue (glicemia) foram as mais procuradas no mutirão de Cangaíba. “Há tanta gente de com pressão alta, que até achamos que os aparelhos estavam com defeito”, disse a coordenadora. Não estavam. O vereador Natalini, que atende na Associação Popular de Saúde  uma vez por semana, informou que é mesmo alto o número de hipertensos na região. Grande parte dos pacientes mediu a pressão e coletou sangue antes de se dirigir a outras especialidades. Maria Clara Ramos Mota, por exemplo, só entrou na fila de dermatologia depois de outras três consultas.]

O professor Rochael  M. Oliveira e mais três  profissionais atenderam,nas primeiras três horas, 75 pessoas no consultório dentário montado em uma van na Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas. “Fazemos exames, damos orientação e, se necessário, encaminhamos os pacientes para as clínicas da Associação, no centro da cidade”, informou o professor Marcelo Manis, membro da equipe. O tratamento é gratuito, com exceção do material de prótese e implante, que é cobrado com preços baixos.

O oftalmologista Sérgio Hernandes atendeu a mais de 70 consultas. Como estava sozinho, avisou que voltaria na terça-feira para um plantão voluntário, se não conseguisse atender a todos os inscritos. Os casos mais  frequentes são de idosos que precisam fazer cirurgia de catarata. Os pacientes são encaminhados para o Hospital Ermelino Matarazzo ou outros hospitais públicos.

Apesar do tempo de espera, não se ouvia queixa nas filas. Oscar Prado, de76 anos, esperou quase duas horas para ser atendido na dermatologia. Está com o corpo todo escamado e lhe deram, anteriormente, um prazo de seis meses para uma consulta no SUS. “Aviso que é preciso ter paciência, mas que todos serão bem atendidos”, disse Patrícia Bueno, doutoranda em Ciência Política da Pontifícia Universidade Católica (PUC), que tem aproveitado os sábados para trabalhar como voluntária em ações como o Mutirão de Saúde.

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