Médicos devem parar atendimento em protesto contra convênios em SP

Categoria quer paralisar os serviços prestados aos planos de saúde no dia 6 de setembro; atendimentos de emergência não serão negados

Gheisa Lessa - estadão.com.br,

10 Agosto 2012 | 16h39

SÃO PAULO - Os médicos de São Paulo pretendem interromper o atendimento aos planos de saúde no próximo dia 6 de setembro em protesto contra o mal pagamento dos serviços prestados. A decisão foi tomada após plenária estadual realizada na última quinta-feira, 9, na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), no centro da capital paulista.

A APM afirma que atendimentos de emergência e casos graves não serão negados à população. Os doutores pretendem cancelar todos os atendimentos eletivos, ou seja, as consultas, cirurgias e exames sem urgência, de acordo com o presidente da associação, Florisval Meinao.

A categoria pede reajuste no valor de consultas para R$ 80. Sem a negociação, os valores são distintos entre as empresas e Meinao calcula que, em média, os médicos recebem R$ 50 por consulta. Os valores mais altos não passam de R$ 60 e os mais baixam chegam a R$ 20.

Além de padronizar os valores das consultas, a categoria pede a também padronização dos demais procedimentos médicos de acordo com a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). A norma conta com mais de 4 mil procedimentos listados em até 42 patamares. Cada patamar apresenta um valor de acordo com estimativa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) da Universidade de São Paulo (USP). A última atualização da CBHPM aconteceu em 2003 e a associação calcula uma defasagem de 50% nos dias atuais.

A APM ainda pede o fim das pressões para reduzir exames, internações e outros procedimentos essenciais ao adequado tratamento, valorização imediata dos honorários e inserção de cláusula de reajuste anual nos contratos.

Meinao afirma que a maioria das empresas de convênio privado seguem as próprias tabelas de valores, o que desvaloriza a profissão dos médicos em todo o Estado. As empresas já apresentaram propostas individuais à categoria, mas nenhuma das ofertas, de acordo com a APM, atenderam a pauta de reivindicação.

O presidente da associação diz que o ato só pode ser cancelado caso as empresas cedam à proposta dos médicos. "Mas não acreditamos que isso possa acontecer até a data, então vai acontecer sem dúvidas", diz.

A entidade calcula que São Paulo tenha cerca de 50 mil doutores que atendem mediante de pagamento de convênios médicos e estima adesão de 15 mil do efetivo.

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