Médicos correm contra o tempo

Salvar pacientes com diabete e hipertensão é a prioridade das equipes de socorro formadas por militares e voluntários, oito dias após o temporal que devastou parte da região serrana do Rio. Nas áreas isoladas, em que o fornecimento de energia elétrica foi interrompido e as estradas foram destruídas, os helicópteros são o único meio de ajudar os moradores que precisam de atendimento médico.

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2011 | 00h00

Ontem, a enfermeira Adriana Lopes, da Cruz Vermelha de Teresópolis, participou de uma missão do Exército para resgatar uma mulher de 41 anos, diabética, moradora da localidade de Pilões, em Nova Friburgo, que estava sem medicamentos desde o dia 12.

08:00

Médicos e enfermeiros voluntários da Cruz Vermelha se apresentam às equipes que coordenam as operações de salvamento em Teresópolis. Adriana conta que trabalha de 13 a 15 horas por dia desde a tragédia. "Cada equipe de médicos faz uma triagem, identifica as localidades que precisam de mais ajuda, anota as coordenadas geográficas e manda o socorro", explica a enfermeira.

12:10

Adriana decola com um médico da Cruz Vermelha da base aérea montada pelo Exército na Granja Comary, na parte alta de Teresópolis.

O objetivo era voar de helicóptero até Pilões, em Nova Friburgo, onde uma mulher diabética aguardava resgate. "Só é necessário remover os pacientes que têm alguma urgência ou risco. Os que puderem permanecer no local são atendidos imediatamente."

"Também levamos medicamentos para suprir as necessidades da comunidade", afirma a enfermeira.

12:35

Em Pilões, a equipe da Cruz Vermelha começa a procurar a paciente, a partir de informações da população. Finalmente, Adriana encontra Jessi Rimes Hottz, de 41 anos. Ela estava havia 8 dias sem o remédio para diabete. Os voluntários entregam suprimentos para as famílias e dão informações. Muitos não sabem a dimensão da tragédia. "A principal demanda nas áreas isoladas é velas e anticoncepcionais", diz Adriana, rindo.

13:00

Os militares e os voluntários da Cruz Vermelha decolam de Pilões e voltam para a base da Granja Comary. Eles precisarão trocar de aeronave para levar Jessi à localidade de Conquista, em Nova Friburgo, onde ela será atendida em um hospital de campanha montado pela Polícia Militar do Rio. De volta a Teresópolis, a equipe da Cruz Vermelha preenche a ficha médica de Jessi para facilitar seu atendimento. Adriana agradece aos militares pela participação na operação. "Vocês fazem a diferença."

14:45

Satisfeita por conseguir retirar de área isolada alguém que precisava de atendimento, a equipe da Cruz Vermelha está preocupada com um paciente com trombose, não localizado. O Exército dá a notícia de que ele foi encontrado e pode ser resgatado. "O trabalho continua, o importante é cada um fazer a sua parte", diz Adriana.

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