Médico é primeiro espanhol barrado por nova restrição

Desde segunda, País passou a cobrar série de exigências, incluindo comprovante de gastos, reserva em hotel ou carta-convite

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2012 | 03h04

Um médico espanhol foi repatriado na terça-feira, após tentar ingressar no Brasil pelo Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. Segundo a Polícia Federal, ele viria à Capital Federal para participar de um curso em sua área, mas não atendia alguns requisitos para a entrada no País.

A repatriação foi o primeiro episódio derivado do endurecimento das regras de ingresso no Brasil para turistas espanhóis. Proibido de entrar no País, o espanhol foi instruído a embarcar em um voo da companhia portuguesa TAP com destino a Madri.

Não foi possível detalhar o que motivou a repatriação do médico, mas o Brasil passou a requerer dos espanhóis passaporte com no mínimo seis meses de validade, passagem de ida e volta - e data de regresso confirmada -, e comprovante de que se pode bancar gastos de no mínimo R$ 170 por dia. O turista deve ainda apresentar comprovação de reserva em hotel já paga ou confirmada. Para hospedagem particular, terá de mostrar carta-convite de quem o hospedará.

Em busca de diálogo. O embaixador da Espanha no Brasil, Manuel de La Cámara, afirmou que deve conversar com autoridades do governo brasileiro, sobretudo o Itamaraty, para que ambos os países possam firmar um acordo a fim de diminuir as exigências para cidadãos brasileiros e espanhóis que pretendem visitar os dois países. "A Espanha está triste", comentou o embaixador na segunda-feira, em relação às medidas de reciprocidade que o governo brasileiro passou a adotar.

De acordo com o diplomata, os dois países são "muito amigos" e esta questão certamente será dirimida em uma cúpula de ambos os governos sobre turismo. Ainda segundo ele, o Brasil está em uma fase econômica muito positiva e faltam profissionais qualificados.

Por outro lado, o embaixador ressaltou que seu país passa por uma crise séria e há engenheiros e outros profissionais altamente capacitados que estão sem emprego. Ele indicou que, com um acordo entre Brasil e Espanha, os dois países poderão ter benefícios mútuos.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, destacou que "as novas medidas não são um fim em si mesmo" e servem apenas na busca de um "equilíbrio maior" para facilitar o ingresso nos dois países.

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