Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

'É uma situação que mexe com a gente, há emoção', diz médico

Profissional conta como foi o atendimento rápido de Maria Luiza, de 3 anos, atingida por árvore no Largo da Concórdia na segunda

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Médico do Grupo de Resgate e Atendimento a Urgências (Grau) há sete anos, Mauricio Augusto Gonçalves, de 39 anos, teve de deixar a emoção de lado na tarde de segunda-feira, ao ver Maria Luiza, de 3 anos, inconsciente, sendo retirada de baixo de uma árvore que caiu sobre a barraca onde ela estava, em uma feira no Largo da Concórdia, no Brás, região central da capital paulista. Em estado de choque, com traumatismo craniano e lesões no abdome e na perna, Maria Luiza estava em estado tão grave que, de acordo com o médico, a morte era quase certa se as intervenções não tivessem sido feitas rapidamente.

“Ela não chegou a sofrer uma parada cardíaca, mas dizemos que ela teve de ser ressuscitada no aspecto clínico. Teve de ser entubada, sedada, receber soro. Ela tinha baixa pressão e, se não fizéssemos algo rápido, poderiam ocorrer danos cerebrais maiores ou uma pneumonia por aspiração. Ela poderia ter morrido rapidamente”, explica o médico.

Também haviam sido atingidas pela árvore durante um vendaval a mãe da menina, Deyse Cristina Oliveira Sousa Santos, de 31 anos, e uma funcionária da barraca, de 22 anos, que teve a morte constatada no local. Deyse foi a primeira a ser resgatada. Com fraturas nas pernas e nos braços, ela reclamava de dores e mostrava desespero ao não saber o estado da filha.

Segundo o médico, em uma escala utilizada para avaliar a consciência e a gravidade de pacientes afetados por traumatismo craniano, chamada escala de coma de Glasgow, Maria Luiza estava no pior nível, equivalente a um coma profundo. 

Felicidade. As ações da equipe médica duraram cerca de 40 minutos, parte deles já dentro da ambulância, enquanto a criança era transportada para o pronto-socorro da Santa Casa. “É uma situação que mexe com a gente de forma diferente, a emoção existe, mas ela não pode se sobrepor à parte técnica”, diz o médico, que se encontrou no dia seguinte com a família da criança. “Eles estão agradecidos por termos salvado a Maria Luiza e a mãe, e a gente fica feliz por ver que as duas estão evoluindo”, diz.

De acordo com a assessoria da Santa Casa de São Paulo, mãe e filha seguem internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital com quadro estável. A menina ainda está sedada, mas apresentou evolução. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.