Medicina personalizada pode mudar o Brasil

ANÁLISE

25 de abril de 2013 | 02h01

O sucesso da pesquisa biomédica é quase sempre associado à soma dos esforços de milhares de pesquisadores que trabalham individualmente ou em pequenos grupos. Mas isso mudou desde a descoberta da estrutura do material genético, o DNA, em meados dos anos 1950. Novos desafios foram concebidos e, no fim dos anos 1980, o aparentemente impossível foi proposto: desvendar a estrutura física do código genético humano, composto por 3 bilhões de bases armazenadas em 23 pares de cromossomos em cada uma de nossas células. Feito.

O veredicto sobre a era pós-genômica não é consensual. A medicina personalizada vem se desenvolvendo e sua importância está na viabilização do tratamento certo para o paciente certo, na hora certa e no fato de se tornar a alavanca de transformação do sistema de saúde.

A expectativa é de que a prática médica nessa era se caracterize por maior eficiência e precisão, com a identificação de indivíduos suscetíveis na população e o estabelecimento de plataformas não medicamentosas e ações que visem à promoção da saúde. Mas há desafios. Antecipar ou prever doenças sem sintomas requer treinamento dos profissionais e novas diretrizes de conduta médica.

A tecnologia de informação em saúde contribuiu para melhorar a eficiência do processo e reduzir erros médicos e custos. Na medicina personalizada, essa tecnologia será essencial para que os sistemas compartilhem e analisem dados genéticos e resultados clínicos de maneira integrada e em tempo hábil. Mas os dados demandam infraestrutura de tecnologia que hoje não existe ou é insuficiente.

No Brasil, uma agenda para implementar a medicina personalizada no SUS poderá ser uma alavanca de transformação e a oportunidade de o País participar ativamente da inovação e geração de riquezas nessa área estratégica global.

* É PROFESSOR DE GENÉTICA E MEDICINA MOLECULAR DO INCOR DA FACULDADE DE MEDICINA DA USP E PRESIDENTE DA ACADEMIA DE CIÊNCIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.