Medicina da USP quer suspender festas por tempo indeterminado

Diretor da instituição também pretende impedir o consumo de álcool na recepção dos calouros em 2015

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Após alunas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) denunciarem a ocorrência de estupros em eventos realizados no local, a direção da unidade deverá suspender por tempo indeterminado as festas na unidade e impedir o consumo de bebida alcoólica na recepção dos calouros. As propostas são do diretor da FMUSP, José Otávio Costa Auler Junior, detalhadas nesta segunda-feira, 25, em reunião com o Ministério Público Estadual (MPE) e serão defendidas na quarta-feira, na reunião da Congregação da faculdade, cujos membros votarão pela adoção ou não das medidas.

As festas foram suspensas na semana passada, dias depois de duas alunas relatarem, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), terem sofrido abuso sexual em eventos da unidade.

A suspensão valeria pelo menos até amanhã, quando ocorre a reunião da Congregação, mas deverá ser estendida se a proposta da direção for aceita.

“Não posso dizer se será por um mês ou por seis meses. Será pelo tempo necessário para que estabeleçamos um regramento, que já existe, mas deverá ser profissional. Por exemplo, a segurança que será contratada tem de estar registrada na Junta Comercial, a capacidade da festa será definida pelo Corpo de Bombeiros”, diz o diretor.

Após a reunião, a Promotoria dos Direitos Humanos, responsável por inquérito que apura pelo menos oito casos de violência sexual na faculdade, divulgou ata da reunião detalhando as propostas da direção. O documento diz que “a diretoria autoriza a realização de festas (de forma irregular e informal), mas nunca recebe e analisa a documentação pertinentes (autorizações, contratos, segurança, etc), ou seja, é conferida total autonomia à Atlética, inexistindo regulamentação das questões”. Esse diagnóstico motivou a direção a propor medidas mais duras de controle sobre os futuros eventos da faculdade. 

Também foi detalhado à Promotoria como vai funcionar o serviço de assistência às vítimas de abuso e o centro de direitos humanos. A estrutura contará com psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e um advogado para auxiliar as vítimas.

Direitos humanos. Auler Junior informou ainda à promotora Paula Figueiredo que a FMUSP tem quatro sindicâncias abertas por violações de direitos humanos na faculdade: uma por discriminação racial e as outras por abuso sexual. Nenhuma delas foi concluída ainda. A Promotoria solicitou uma série de documentos e materiais para a direção da FMUSP. Outra proposta defendida por Auler Junior é a inclusão de disciplinas com foco em direitos humanos no curso.

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