Medicamentos que afetam motorista podem ter selo obrigatório

Estudos estimam que de 27% a 31% dos acidentes de trânsito sejam provocados por distúrbios do sono

Fabiana Cimieri, Agência Estado

16 de outubro de 2008 | 19h04

A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e a Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia decidiram encaminhar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma proposta de legislação para que os medicamentos que interfiram na direção segura venham com um símbolo de alerta na caixa.   Segundo o presidente da Abramet, Flavio Emir Adura, estudos internacionais estimam que, de 27% a 31% dos acidentes de trânsito tenham sido provocados por distúrbios do sono. A sonolência é o principal efeito colateral dos medicamentos que interferem na direção.   "Existe uma relação muito grande entre a ingestão de alguns medicamentos e a sonolência, e frequentemente os motoristas não foram alertados desse risco", disse ele. Ansiolíticos, antidepressivos, antipssicóticos e até alguns tipo de antialérgicos estão entre as principais classes de medicamentos que prejudicam a direção veicular segura.   Existem trabalhos científicos que comparam grupo de motoristas que fazem usos de determinados medicamentos com outro que não fazem. A conclusão é a de que o grupo que ingere esses remédios sofrem de 3 a 5 vezes mais acidentes.   Adura alerta ainda para o fato de que existem drogas que podem ficar até 36 horas na corrente sanguínea. "Muitas vezes a pessoa toma um remédio para dormir de noite e de manhã ainda está sob o efeito do remédio, mas não sabe". A proposta de nova legislação deve ser encaminhada à Anvisa na semana que vem.   Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelam os prejuízos que os acidentes de trânsito causam ao país. Um estudo, em aglomerados urbanos, revelou que os gastos chegam a R$ 5,6 bilhões por ano. Nas rodovias, essa conta alcança, por ano, R$ 23 bilhões. Nos dois valores, estão embutidos gastos com atendimento em saúde, perda produtiva e de patrimônio entre outros fatores.   No último domingo, no lançamento da campanha anual contra acidentes no trânsito, os ministros da Saúde, José Gomes Temporão, e das Cidades, Márcio Fortes, fizeram um alerta aos motoristas que tomam medicamentos para que consultem as bulas a fim de evitar acidentes por sonolência causada por drogas como ansiolíticos, antiinflamatórios e antidepressivos.   A campanha deste ano está focada na proteção das crianças, através do uso das cadeiras apropriadas para a idade e do cinto de segurança. De acordo com o Ministério da Saúde, o trânsito é a primeira entre as causas violentas de morte de crianças com até 9 anos.

Tudo o que sabemos sobre:
remédiosmotoristaselo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.