Médica sérvia é acusada por morte em cruzeiro

Ministério Público Federal diz que falta de atendimento médico adequado foi a causa da morte da estudante Isabella Negrato, em dezembro de 2008

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2010 | 00h00

A morte da estudante Isabella Baracat Negrato, de 20 anos, ocorrida a bordo de um navio durante um cruzeiro, em dezembro de 2008, ocorreu por falta de atendimento médico adequado. É o que concluiu o procurador da República Angelo Augusto da Costa, que denunciou a médica que atendeu a estudante por homicídio culposo (sem intenção). A denúncia foi encaminhada à Justiça Federal de São José dos Campos, que até a noite de ontem não havia se manifestado.

Jasna Tankosic, a profissional que atendeu Isabella a bordo do cruzeiro MSC Opera, mora na Sérvia. O Ministério Público Federal quer que ela seja informada por uma carta rogatória, instrumento usado por Justiças de diferentes países para, por exemplo, obter o depoimento de testemunhas ou acusados fora do país de origem do processo.

Glicose. No dia 19 de dezembro de 2008, Isabella havia bebido uma garrafa de champanhe e algumas latas de cerveja e foi encontrada coberta de vômito por uma amiga. Laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que a estudante sofreu uma asfixia por aspiração do vômito. Ela fazia um cruzeiro universitário entre Santos e o Rio.

Segundo a Procuradoria, a jovem foi levada à enfermaria e, no lugar de diagnosticá-la corretamente como vítima de coma alcoólico, Jasna teria seguido um protocolo médico para casos de intoxicação, aplicando injeções de glicose na garota.

Equipamentos. Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, Jasna tinha a bordo todos os equipamentos necessários para manter a estudante viva caso o diagnóstico tivesse sido feito corretamente. Mas ela "confiou levianamente em que a adoção do procedimento padrão para os casos de intoxicação alcoólica levaria, por si só, à reversão do quadro extremamente grave de Isabella Baracat Negrato", segundo a denúncia feita pelo procurador da República.

O pai da estudante foi procurado ontem, mas não respondeu ao telefonema nem ao e-mail enviado pela reportagem. A jovem morava em Bauru, no interior paulista, e iria se formar em Direito. A MSC Cruzeiros, responsável pela viagem que Isabella fazia, disse, em nota, que não havia sido informada da decisão mas que teria "total empenho e compromisso no acompanhamento e colaboração com o processo".

No último verão, quatro pessoas morreram em cruzeiros realizados pela costa brasileira, contando Isabella. O consumo exagerado de álcool, associado a falhas de atendimento médico, foram apontados pelas polícias que investigam os casos como as principais causas.

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