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Médica que teria sofrido racismo é investigada em sindicância

Interventor da Santa Casa de Barretos disse que Carolina Bernardes é investigada por possível omissão de socorro

CHICO SIQUEIRA, Especial para O Estado

24 Junho 2015 | 21h27

ARAÇATUBA - A médica anestesista Carolina Bernardes, que acusa o obstetra Fernando Jorge de ter cometido crime de preconceito racial contra ela, pode passar de vítima para culpada em sindicância, cujo relatório final a Santa Casa de Barretos (SP) promete divulgar e entregar ao Ministério Público nesta quinta-feira, 25.

"Estamos apurando dois fatos: um em que o médico teria cometido injúria racial contra a anestesista e outro, em que ela teria cometido omissão de socorro", afirmou o interventor do hospital, Eduardo Petrov. "Como eles não são funcionários, caberá ao Ministério Público apurar as responsabilidades", acrescentou.

Durante atendimento no centro cirúrgico do hospital, em 7 de junho, a médica teria sido xingada pelo obstetra, por não atender de imediato a um pedido dele para anestesiar uma parturiente. O médico acusa a colega de omissão de socorro.

Associações de Direitos Humanos, que acompanham o caso, afirmam que, após fazer a denúncia na polícia e no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), a médica passou a sofrer assédio moral por parte da Santa Casa, cujo interventor é amigo do médico. "Somos amigos, mas a sindicância está apurando apenas os fatos", disse Petrov.

Jorge falou pela primeira vez nesta quarta-feira, 24, e negou ter xingado, cometido injúria racial, ou mesmo destratado a colega, e que tem provas contra ela. "Filmei com meu celular e as cenas comprovam que ela se recusou de atender minha paciente que tinha sido internada primeiro", afirmou. Carolina alegou que não atendeu de imediato a gestante porque a prioridade era uma fratura; e que ao ligar para o diretor clínico, este determinou que atendesse primeiro a fratura e depois a gestante, o que foi feito.

O obstetra alegou que não foi de madrugada ao hospital porque "estava enfermo, com quadro infeccioso (febre)", mas que pediu a outro médico para atender a gestante, que chegara por volta das 23 horas no hospital com a bolsa rompida. Segundo ele, a paciente não corria riscos, mas a situação se inverteu após chegar ao hospital, às 7 horas. "Havia riscos para a paciente e para a criança". "Só depois que falei com o diretor clínico é que ela atendeu minha paciente e ainda assim deixou a sala durante o parto".  O médico disse ainda que espera o resultado da sindicância da Santa Casa para denunciar a colega ao Cremesp. Ele confirmou ser amigo de infância do interventor, mas disse que a amizade não influencia em seu trabalho.

Em entrevista na terça-feira, 23, Carolina reafirmou as denúncias contra Jorge e disse que se sentia chateada com a tentativa da Santa Casa de apurar omissão de socorro, para fazer com que de vítima ela passe a ser culpada. "Na verdade é uma tentativa de proteger o médico, que é amigo do interventor".

      


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