Médica é presa após morte de menina no Rio

Falso pediatra que atendeu Joanna também teve a prisão decretada; garota morreu na sexta-feira

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2010 | 00h00

A polícia do Rio prendeu ontem uma médica suspeita de ter contratado o falso pediatra que atendeu e liberou uma menina que sofria convulsões e pode ter sido vítima de maus-tratos. Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, morreu sexta-feira, após 26 dias de internação, em coma, em outra clínica da cidade.

Sarita Fernandes Pereira era coordenadora de Pediatria do Hospital RioMar, na zona oeste do Rio, onde a menina foi atendida pelo estudante de medicina Alex Sandro da Cunha Silva, de 33 anos. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, ela foi demitida. A polícia procura o falso médico, que teve a prisão temporária decretada pela Justiça e é considerado foragido.

O advogado de Alex, Claudio Tavares, informou que seu cliente tem colaborado com as investigações e está em viagem, não foragido. Segundo ele, o estudante deve se apresentar à Polícia assim que receber a notificação.

A polícia disse que o estudante atuava com documentos falsos e receitou um medicamento que pode causar dependência. Sarita e Silva foram indiciados por tráfico de drogas, falsidade ideológica e material, e exercício irregular de medicina. As penas podem chegar a 30 anos de prisão.

"Segundo o depoimento do falso médico, ela (Sarita) é a responsável pelo fato: ela o contratou, entregou o carimbo com o registro falsificado e coordenava o esquema", disse o delegado Luís Henrique Marques Pereira. A médica nega. "Acredito na Justiça. Sei que tudo vai acabar bem."

Joanna foi internada no RioMar, com convulsões, hematomas nas pernas e marcas de queimaduras nas nádegas e tórax. Segundo a polícia, o estudante teria receitado um medicamento e liberado a criança, mesmo desacordada. Além do RioMar, Joanna passou pelo Hospital das Clínicas de Jacarepaguá, antes de ser internada na clínica Amiu, na zona sul, em 19 de julho.

Maus-tratos. A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) investiga ainda a suspeita de maus-tratos. A guarda da menina era disputada na Justiça. Desde 26 de maio, ela estava sob os cuidados do pai, o técnico judiciário André Rodrigues Marins. Relatórios preliminares do Instituto Médico Legal (IML) apontam que as queimaduras teriam ocorrido após essa data. Segundo o pai, Joanna tinha problemas neurológicos, e daí as convulsões. O corpo da menina passaria por necropsia ontem para ser enterrado hoje, em Mesquita, na Baixada Fluminense.

CRONOLOGIA

Joanna passou por 3 hospitais

26 de maio

Depois de uma disputa judicial, Joanna passa a ficar sob a guarda do pai

16 de julho

A menina sofre convulsões e é atendida por falso médico no Hospital RioMar. Mesmo desacordada, Joanna é liberada

18 de julho

A garota passa por consulta em um segundo hospital, o das Clínicas de Jacarepaguá

19 de julho

A menina é internada em coma em uma terceira clínica, a Amiu, na zona sul do Rio

21 de julho

Polícia abre inquérito para apurar maus-tratos

13 de agosto

Joanna morre na clínica Amiu. Justiça decreta prisão do falso médico e da coordenadora do Hospital RioMar

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