Mediadora do AfroReggae é sequestrada e morta

Tânia Moreira foi levada de casa e achada com um tiro na cabeça na Baixada; policiais civis podem estar envolvidos

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2011 | 03h01

Mediadora de conflitos do grupo cultural carioca AfroReggae, Tânia Cristina Moreira, de 44 anos, foi sequestrada anteontem à noite em sua casa, no bairro de Vigário Geral (zona norte do Rio), e encontrada morta com um tiro na cabeça, ontem à tarde, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense).

Como nenhum objeto foi roubado, a polícia acredita que não se trata de latrocínio (roubo seguido de morte), mas de vingança, que pode ser relacionada com algum dos casos mediados pela funcionária. Veículos de policiais civis foram vistos nas imediações da casa da mulher na noite do crime. O caso está sendo investigado pela 38.ª DP (Brás de Pina) e pela Divisão Antissequestro (DAS), mas, até a noite de ontem, nenhum suspeito havia sido identificado.

O AfroReggae é uma organização não governamental criada na Favela de Vigário Geral, em 1993, que oferece projetos sociais. A entidade mantém um grupo com cerca de 20 pessoas responsáveis por intermediar conflitos e conversar com criminosos para tentar evitar confrontos entre facções e convencê-los a abandonar a rotina ilegal. Tânia desempenhava essa função havia sete anos.

Ela era casada e seu marido também trabalha no AfroReggae. O casal tem uma filha de 1 ano. Tânia também é mãe de uma jovem de 23 anos e de um rapaz de 22, que está preso em Bangu (zona oeste do Rio) por envolvimento com tráfico.

Segundo integrantes do AfroReggae, Tânia estava em casa, a poucos metros da sede da ONG, acompanhada pela mãe e por uma amiga, quando dois ou três homens chegaram em um Gol branco, invadiram o imóvel, dominaram o trio e a levaram. O marido dela estava trabalhando na sede da ONG. O sequestro ocorreu por volta das 21h.

O corpo foi encontrado ontem à tarde, abandonado em um matagal no bairro Campos Elísios, em Caxias, com uma perfuração na cabeça. Tânia foi levada para o Instituto Médico-Legal, onde foi reconhecida pelo coordenador do AfroReggae, José Júnior. Ontem à noite, não havia previsão sobre a data do enterro.

Morte. O coordenador da ONG Evandro José da Silva foi morto em um latrocínio no centro do Rio, em 2009. O caso causou comoção porque câmeras mostraram PMs abordando os criminosos, levando o que havia sido roubado e deixando a vítima no chão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.