Mediação resolve de bullying a briga

Programa da GCM começou com quatro unidades e foi expandido para 18, mas ainda é pouco conhecido; guarda pretende ampliar divulgação

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2012 | 03h04

As primeiras quatro casas de mediação montadas pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) em São Paulo resolveram ao menos 40 conflitos desde novembro - média aproximada de um por semana. A maioria dos casos atendidos envolve briga de vizinhos, invasão de um terreno ou pintura de um muro divisório. Mas uso de drogas, bullying, brigas de casal e até de futebol também levaram paulistanos para as salas de mediação.

O programa é definido pela Prefeitura de São Paulo como uma política de prevenção do crime. "Se um conflito que parece pequeno não é tratado, pode virar uma agressão ou algo pior", afirma a inspetora Maria Fátima de Sá Silva, coordenadora das casas de mediação da zona sul.

Embora seja considerado satisfatório pela GCM, o serviço ainda não é conhecido pela população. "Não sabia que tinha isso por aqui", diz a aposentada Iolanda Mutti de Faria, de 63 anos. Ela mora na Rua dos Otonis, na Vila Mariana, na zona sul, a cerca de 150 metros da Inspetoria da GCM do bairro, onde as reuniões de conciliação são feitas. "Podiam colocar uma faixa."

"Acho que o pessoal ainda não se acostumou com a ideia, mas estamos aqui de plantão", afirma uma das guardas da Vila Mariana. Segundo o superintendente de planejamento da GCM, Dalmo Luís Coelho Alamo, a instituição estuda criar uma marca para ajudar a identificação.

Com a inauguração de outros 14 espaços nos últimos meses, o número de casas de mediação chegou a 18. Até o fim do ano, devem ser 31. O curso de mediadores já formou 150 guardas. Outros 70 estão sendo capacitados.

Resolução. Uma reunião na casa de conciliação no Campo Limpo, na zona sul, colocou fim a um problema entre dois vizinhos que se arrastava havia nove anos. O conflito está relacionado a problemas na construção de duas casas e ao uso de parte do terreno comum.

A regra das casas de conciliação garante sigilo às partes envolvidas, mas as duas vizinhas concordaram em dar entrevista à reportagem. A auxiliar de confeitaria Vânia, de 36 anos, ficou sabendo do serviço após uma das muitas visitas à subprefeitura para resolver a briga. "Achei que a Prefeitura ia resolver, mas me passaram para a GCM. Vim aqui e já marcaram a reunião com minha vizinha para a outra semana."

A auxiliar de restauração de cartucho Vilma, de 55, ficou desconfiada quando recebeu o convite para a conciliação. "Cansei de ir à Prefeitura e me mandarem de um lugar para outro."

A mediação, na terça-feira, durou cerca de uma hora e foi conduzida pela GCM Sônia de Jesus Santos Vaz. "Foi simples. Combinamos que um técnico da subprefeitura vai acompanhar o processo", disse. O atendimento foi parabenizado pelas vizinhas. "A gente é tão acostumado a ser maltratado pelos órgãos públicos que, quando é bem atendido, até se espanta", disse Vilma.

Justiça. A mediação da GCM e as sessões de conciliação da Justiça são instrumentos distintos. O acordo firmado nas casas de conciliação não precisa, obrigatoriamente, ser cumprido. Já a conciliação da Justiça tem o objetivo de acelerar o andamento de processos judiciais. Se o acordo é descumprido, o processo volta a correr normalmente.

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